Dólar fecha em queda de 0,49% a R$ 5,217 após volatilidade marcada por decisões do Copom e do Fed

O dólar encerrou o pregão desta quinta-feira (19) com uma queda de 0,49%, cotado a R$ 5,217, em um dia marcado pela volatilidade, influenciado pelas decisões de juros do Copom e do Fed, além da oscilação nos preços do petróleo.

O movimento da moeda americana refletiu a tendência internacional, onde o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, recuou 1,08%. Durante a manhã, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,313, apresentando uma alta de 1,34%, em meio a um cenário de aversão ao risco global.

Em contrapartida, a Bolsa de Valores teve um desempenho positivo, fechando em alta de 0,35%, com o índice alcançando 180.270 pontos.

O dia foi também marcado por novos desdobramentos no conflito no Oriente Médio, onde o Irã retaliou ataques de Israel e dos EUA com bombardeios a instalações energéticas na região. Este aumento das tensões impactou o preço do petróleo, que inicialmente superou a marca de US$ 119 por barril, mas ao final do dia, a cotação do Brent, referência global, recuou para US$ 108,65, com um leve avanço de 1,18%.

A mudança na cotação do petróleo foi influenciada por declarações de um funcionário da Casa Branca, que afirmou que os EUA não estão considerando proibir exportações de petróleo. Além disso, a informação de que Israel estaria auxiliando os EUA na retomada das navegações pelo estreito de Hormuz também contribuiu para a estabilização do mercado.

Bruno Botelho, chefe da mesa de câmbio da ONE Investimentos, destacou que o dia foi caracterizado por um ajuste após um choque externo, onde a disparada inicial do dólar foi provocada pela piora do cenário internacional. Segundo ele, o movimento perdeu força ao longo do dia, refletindo um ambiente de elevada volatilidade, mas ainda sustentado pelos juros altos e fluxo doméstico.

A instabilidade no mercado global também teve reflexos nos juros futuros, que inicialmente dispararam, mas recuaram ao longo do dia. As taxas dos DIs, que medem a expectativa em relação às futuras taxas Selic e CDI, apresentaram alta em bloco. Às 17h, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com uma queda de 10 pontos-base em relação ao ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2035 marcava 13,84%, com uma redução de 6 pontos-base.

O mercado de juros futuros continua sob pressão, uma vez que a recente alta do petróleo pode reacender a inflação no Brasil, levando o Copom a manter os juros elevados por um período mais prolongado. Na última reunião, o Banco Central reduziu a Selic para 14,75% ao ano, sendo esta a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo. Contudo, o comitê não antecipou futuras decisões, citando um “forte aumento da incerteza” e evitando mencionar palavras como “redução” ou “cortes”.

Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, havia um consenso no mercado financeiro de que a primeira redução de juros poderia ser de 0,5 ponto percentual, mas as tensões atuais levaram a uma expectativa de corte menor.

No exterior, o Fed também abordou o conflito, mencionando que os desdobramentos na região geram incertezas para a economia dos EUA. O banco central optou por manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%, afirmando que não haverá cortes na taxa sem progresso na inflação, o que foi visto como uma postura “hawkish” pelos operadores, afetando a atratividade de ativos de risco.

Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, observou que a volatilidade do dia também pressionou o real, uma vez que a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, contribuindo para um cenário doméstico desafiador.

Em resposta à volatilidade, o Banco Central realizou dois leilões simultâneos —um de dólar à vista e outro de swap cambial reverso—, com uma oferta de US$ 1 bilhão em cada operação, visando aumentar a liquidez em momentos de estresse no mercado.

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