Um novo dispositivo brasileiro, desenvolvido para monitorar o sono, está sendo utilizado na missão Artemis 2. O funcionamento do aparelho baseia-se em um sensor de atividade que analisa a frequência e a intensidade dos movimentos do braço, permitindo identificar períodos de repouso e prontidão, além de registrar o comportamento circadiano dos usuários. Este “relógio biológico” de cerca de 24 horas é influenciado principalmente pela luminosidade.
O dispositivo possui dez sensores embarcados que detectam a exposição à luz em diferentes faixas espectrais. Esses dados são fundamentais para caracterizar não apenas a intensidade da luz, mas também sua composição espectral ao longo do ciclo claro-escuro, que é o principal regulador externo responsável por sincronizar o relógio biológico interno com o ambiente.
O ciclo claro-escuro é definido pela rotação da Terra e é a partir dele que o cérebro antecipa o momento do sono. No espaço, essa referência se perde, pois os astronautas podem permanecer em claridade ou escuridão constantes, dependendo da posição em relação ao Sol.
Mario Pedrazzoli Neto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), especialista em cronobiologia e orientador do projeto.
Desafios do sono no espaço
Na Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas enfrentam até 16 alvoreceres e entardeceres por dia, o que pode desregular severamente o ciclo sono-vigília. Para mitigar esse estresse, a estação conta com sistemas de diodos emissores de luz (LEDs) que simulam o ciclo terrestre, ajudando na higiene do sono da tripulação.
“Por esses fatores e outros ainda sob investigação, como o efeito da gravidade, os astronautas tendem a apresentar privação de sono. No espaço, o repouso é inerentemente desregulado”, afirma Pedrazzoli.




