Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) se destacam em 2026, apresentando rendimentos elevados para um número crescente de investidores. Com isenção da antecipação do Imposto de Renda e sem grandes oscilações de preço, esses fundos se tornam atraentes em um cenário de queda na remuneração de CDBs e incertezas relacionadas a dívidas de grandes empresas. Nos primeiros seis meses do ano, os FIDCs registraram uma captação líquida de R$ 30 bilhões, ficando atrás apenas dos fundos de renda fixa, ETFs e fundos de participações, conforme dados da Anbima. O número de investidores pessoas físicas cresceu quase 20%, totalizando 435 mil.
Rumo ao trilhão
A expectativa é que os FIDCs atinjam R$ 1 trilhão em patrimônio nos próximos meses, conforme afirma Alexandre Muller, diretor de Investimentos da Leto Capital. A gestora está analisando 22 operações de FIDCs, com um valor estimado em R$ 7,9 bilhões, e planeja lançar mais de R$ 1 bilhão no segundo semestre. A Solis Investimentos, referência no setor, possui R$ 1,1 bilhão em novos FIDCs com documentação assinada, sendo R$ 300 milhões a R$ 400 milhões destinados ao varejo.
Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, observa que o crescimento dos FIDCs é impulsionado pela demanda das empresas por financiamento alternativo e pela busca dos investidores por diversificação em crédito privado. A Uqbar contabilizou R$ 85,4 bilhões em cotas de FIDC emitidas entre janeiro e maio de 2026.
Marrucho também alerta para a necessidade de separar crescimento de maturidade, enfatizando que os FIDCs não devem ser considerados produtos simples, devido aos riscos de inadimplência e à complexidade de sua estrutura.
Remuneração até CDI+5%
Segundo Peixoto, da Ouro Preto, o crédito sem intermediação bancária permite oferecer taxas de 1% a 2% acima do CDI para o varejo. O FIDC Pioneiro, da Solis Investimentos, começou o ano com R$ 738 milhões e está próximo de R$ 1,1 bilhão, atraindo de 100 a 150 novos investidores diariamente e apresentando retornos médios em torno de 110% do CDI.
Em um ambiente de juros elevados, os FIDCs bem estruturados têm proporcionado retornos de CDI+2% a CDI+5% ao ano, dependendo do risco e da qualidade do lastro. Richard Ionesco, CEO do Grupo IOX, ressalta que a escolha do FIDC deve ser fundamentada na qualidade do lastro e na capacidade da gestora.
Pontos de alerta: taxas e inadimplência
Peixoto já observa um aumento na inadimplência, mas acredita que isso é compensado pelos altos juros e garantias. A concorrência entre FIDCs aumenta, gerando uma pressão por taxas mais baixas. Binelli, da Solis, considera a inadimplência atual como controlada, mas alerta para a necessidade de monitorar quedas nas cotas subordinadas.
Marrucho prevê um aumento na seletividade do mercado, enfatizando a importância da transparência e da qualidade dos dados. Julya Wellisch, da Anbima, destaca que a entidade está trabalhando para melhorar a governança e a transparência dos FIDCs, atualizando as classificações para ajudar os investidores a identificar os riscos.




