Seca na Europa Ocidental se torna cinco vezes mais provável devido ao aquecimento global, aponta estudo

A Europa enfrenta uma grave crise climática, evidenciada por uma série histórica de ondas de calor e secas, com um estudo recente indicando que a seca no solo agrícola da Europa Ocidental se tornou cinco vezes mais provável devido ao aquecimento global. Na Europa Oriental, a probabilidade de seca é 11 vezes maior, com a situação se agravando ao longo dos últimos seis meses.

Os dados mostram que o potencial de evaporação, impulsionado pelo calor intenso, é 80 vezes mais provável no oeste da Europa e 40 vezes no leste. Essa variável, conhecida como PET, mede a capacidade da atmosfera de evaporar umidade, revelando a influência da atividade humana nas condições climáticas extremas atuais.

Sarah Kew, cientista do clima do Serviço de Meteorologia da Holanda, destaca que o calor extremo se tornou o principal fator por trás da seca no continente. O estudo, conduzido pelo World Weather Attribution (WWA) em parceria com o Imperial College de Londres, analisa a responsabilidade da crise climática em eventos extremos assim que ocorrem.

Embora a Europa Oriental tenha enfrentado déficits de precipitação antes do verão, as condições atuais não teriam causado uma seca tão severa em um planeta 1,4°C mais frio, o que representa as condições da era pré-industrial. A onda de calor mais intensa da história da Europa, atribuída à mudança climática, está drenando a umidade do solo de maneira acelerada.

Dominik Schumacher, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, explica que as condições climáticas que normalmente ocorrem durante o inverno e a primavera, que ajudam a reabastecer os solos, foram substituídas por uma sequência de sistemas de alta pressão que resultaram em um clima quente e seco. Isso resultou em uma temporada extrema de queimadas, com a Espanha e a França lutando contra incêndios florestais que destruíram 116 mil e 42 mil hectares, respectivamente.

Na Áustria, a situação é preocupante, com 90% dos medidores de rios indicando níveis abaixo da média em maio. Além disso, a umidade do solo na Suíça já se assemelha à de agosto de 2022, atingindo números alarmantes em junho, antes mesmo do pico do verão.

O estudo do WWA não encontrou evidências de que a mudança climática tenha alterado o padrão das chuvas nesta temporada, mas o potencial de evaporação foi significativamente afetado. A Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo.

As consequências dessa crise são devastadoras, com a França registrando 5.764 mortes devido ao calor extremo entre 17 de junho e 2 de julho, o maior número desde 2003. Além das perdas humanas, a Europa enfrenta quebras de safra, restrições no abastecimento de água e energia, e danos significativos à agricultura, incluindo a perda de metade da produção francesa de milho e um milhão de hectares de terras agrícolas na Romênia.

Simon Stiell, chefe do clima da ONU, alerta que o agravamento das secas é um “alerta vermelho” que não pode ser ignorado e pede uma transição rápida para energias renováveis, que são mais acessíveis do que os combustíveis fósseis. O estudo também sugere que os planos de prevenção e manejo de secas na União Europeia sejam padronizados e implementados em todos os 27 Estados-membros do bloco.

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