Debêntures atreladas ao IPCA rendem 1,47% em julho, superando outros índices de renda fixa

As debêntures atreladas ao IPCA apresentaram o melhor desempenho entre os índices de renda fixa da Anbima em julho, com uma rentabilidade de 1,47%. Em segundo lugar, as debêntures atreladas ao DI renderam 1,43%. Entre os títulos públicos, o IMA-S, que reflete o Tesouro Selic, teve uma alta de 1,23% no mesmo período. Os prefixados, por outro lado, mostraram resultados mais modestos, com o IRF-M avançando apenas 0,85%. No acumulado do ano, as debêntures atreladas ao DI acumulam 8,62%, enquanto as incentivadas somam apenas 2,46%, ficando atrás até do IMA-B, que registrou 5,09%.

Entenda melhor: Tudo sobre debêntures: entenda por que e como investir nesses papéis.

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, explica que o IMA-S teve um desempenho superior por ter capturado quase todo o carrego da Selic, sem exposição significativa à marcação a mercado. Embora os prefixados e os papéis IPCA+ apresentassem taxas altas, parte do ganho foi neutralizada pela curva, que continuou exigindo prêmio devido a riscos fiscais, ao calendário eleitoral e a expectativas de inflação elevadas.

Dois mundos no crédito privado

Corano destaca que as debêntures atreladas ao DI e as incentivadas possuem características distintas, embora pertençam à mesma categoria. As primeiras se beneficiam de um CDI elevado, têm prazos mais curtos e são menos sensíveis às oscilações de juros. As incentivadas, por sua vez, estão majoritariamente ligadas ao IPCA, apresentam prazos mais longos e estão sujeitas tanto à curva das NTN-Bs quanto ao spread de crédito do emissor.

A isenção de Imposto de Renda, segundo Corano, favorece o retorno líquido para a pessoa física, mas não é considerada no cálculo do IDA-IPCA Infraestrutura. Ele observa que não se trata apenas de uma distinção entre crédito bom e ruim, mas sim de um crédito que recebe um CDI alto e possui menor duration em comparação a outro que depende do comportamento da inflação ao longo de um período mais extenso.

Ativos Índice Rentabilidade em julho Rentabilidade no ano
Títulos públicos IMA – Geral 1,07% 6,96%
Títulos públicos prefixados IRF-M 0,85% 5,95%
Títulos públicos de inflação IMA-B 0,97% 5,09%
Títulos públicos pós-fixados IMA-S 1,23% 8,26%
Debêntures IDA – Geral 1,23% 5,69%
Debêntures atreladas ao DI IDA – DI 1,43% 8,62%
Debêntures incentivadas IDA – IPCA Infraestrutura 1,02% 2,46%
Debêntures atreladas ao IPCA não incentivadas IDA – IPCA ex-Infraestrutura 1,47% 7,01%
Debêntures atreladas ao IPCA IDA – IPCA 1,03% 2,59%
Fonte: Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)

CDB de inflação

Os CDBs indexados à inflação emitidos em julho apresentaram uma taxa média de 12 meses de IPCA + 8,32%, em comparação a IPCA + 8,46% para papéis de 24 meses e IPCA + 8,39% para aqueles de 36 meses, conforme levantamento da Quantum Finance. Em junho, a média de 12 meses estava em IPCA + 7,94%.

Corano observa que a leitura indica uma maior disputa por captação de curto prazo, possivelmente refletindo necessidades de liquidez ou a preferência dos bancos por evitar custos elevados por períodos mais longos.

Retornos de CDBs indexados à inflação entre 01 e 31 de julho
Prazo (meses) Taxa mínima (IPCA+) Taxa média (IPCA+) Taxa máxima (IPCA+) Número de títulos Emissor da maior taxa
12 7,26% 8,32% 9,04% 100 Haitong Brasil
24 7,63% 8,46% 9,08% 139 Haitong Brasil
36 7,17% 8,39% 8,94% 154 Haitong Brasil
Fonte: Quantum Finance

Pós-fixados abaixo do CDI

Nos CDBs pós-fixados, os prazos intermediários estão apresentando remunerações inferiores ao CDI, com média de 99,26% em seis meses, 98,39% em 12 meses e 99,51% em 24 meses. Apenas os prazos de três e 36 meses superaram o CDI.

Corano considera que um CDB de 12 meses pagando 98,39% do CDI não é uma opção atraente, pois o investidor assume risco de crédito bancário e, normalmente, abre mão de liquidez para receber menos do que o benchmark. Nos prefixados, a média de 12 meses ficou em 13,82% ao ano, abaixo da Selic de 14%.

Retornos de CDBs indexados ao CDI de 01 a 31 de julho
Prazo (meses) Taxa mínima (% CDI) Taxa média (% CDI) Taxa máxima (% CDI) Número de títulos Emissores da maior taxa
3 97,50% 100,07% 103,80% 51 C6
6 97,50% 99,26% 103,10% 36 Paraná Banco
12 90,00% 98,39% 106,00% 88 BancoSeguro
24 97,50% 99,51% 102,05% 51 ABC Brasil
36 98,00% 100,58% 105,00% 85 Banco Afinz S.A – Banco Múltiplo

Onde investir em agosto

No cenário-base de Corano, os ativos pós-fixados atrelados ao CDI ou à Selic continuam como as opções mais promissoras para agosto. Apesar da Selic estar em 14%, o especialista acredita que o carrego mensal permanece elevado e com baixa volatilidade.

Embora os prefixados e os IPCA+ possam oferecer retornos superiores, isso depende de a curva incorporar novos cortes sem agravar o quadro fiscal ou as expectativas de inflação. Corano recomenda manter a maior parte da carteira em pós-fixados de qualidade, utilizando as taxas atuais para diversificar posições em juros reais e prefixados, evitando concentração em um único emissor.

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