O Banco do Brasil (BBAS3) anunciou seus resultados financeiros na noite de quarta-feira, 12 de outubro, reportando um lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, representando um crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor superou as expectativas de analistas, que projetavam um lucro de R$ 3,6 bilhões, conforme dados da LSEG.
Para o primeiro semestre de 2026, o banco registrou um lucro total de R$ 7,3 bilhões, com uma projeção semestral de lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões. Em comparação ao trimestre anterior, o lucro teve um avanço de 13,9%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 8,3%, um aumento em relação aos 7,3% do primeiro trimestre de 2026, embora tenha permanecido estável em relação aos 8,4% do mesmo período de 2025.
A presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, comentou sobre os resultados, destacando a execução estratégica que contribuiu para o crescimento e a evolução da margem financeira bruta, que foi sustentada por um mix de crédito com melhor relação risco-retorno, diversificação das captações e boa alocação de liquidez.
Destaques do balanço:
- Lucro líquido ajustado: R$ 3,9 bilhões – projeção IBES: R$ 3,6 bilhões
- ROE: 8,3%
- Margem financeira bruta: R$ 27,5 bilhões
- Custo de crédito: R$ 18,5 bilhões
- Inadimplência acima de 90 dias: 5,6%
- Carteira de crédito expandida: R$ 1,3 trilhão
A carteira de crédito expandida do Banco do Brasil totalizou R$ 1,31 trilhão ao final de junho, apresentando um crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior e de 0,6% em comparação aos três meses anteriores. O índice de inadimplência acima de 90 dias aumentou para 5,61%, comparado a 3,96% um ano antes e 5,05% nos primeiros três meses de 2026. O custo do crédito cresceu 16,1% ano a ano, mas teve uma redução de 2,1% em relação ao trimestre anterior, totalizando quase R$ 18,5 bilhões.
A CEO do Banco do Brasil afirmou que o aumento das receitas com prestação de serviços é impulsionado pela complementariedade do conglomerado, e destacou que os custos foram mantidos sob controle, permitindo investimentos em pessoas e tecnologia.
Em relação à expectativa para a carteira de crédito, o crescimento foi na parte mais baixa do guidance, com uma alta de 0,6% (intervalo entre 0,5% e 4,5%) no primeiro semestre. A carteira de empresas sofreu uma queda de 6,4%, enquanto a carteira agro teve um crescimento de 4,1%, superando as expectativas de perdas. A carteira de pessoa física também apresentou um crescimento de 4,4%, abaixo da expectativa de alta entre 6% e 10%.
Expectativas de analistas
Analistas apontaram o Banco do Brasil como um dos bancos mais pressionados nesta temporada de resultados. O Itaú BBA previu um crescimento modesto da carteira de crédito, próximo de 1% na comparação anual, e um custo de risco elevado, em torno de 6,4%, refletindo tanto fatores sazonais ligados ao agronegócio quanto uma deterioração mais ampla da qualidade da carteira. A análise de diversas instituições, como JP Morgan e Bank of America, indicou que o Banco do Brasil ainda enfrenta um período desafiador.




