Juíza Flávia Justa alerta sobre a violência doméstica em vídeos nas redes sociais: “Eles não mudam”

A juíza de Direito Flávia Justa, atuante no Juizado de Violência Doméstica de Duque de Caxias/RJ, tem utilizado as redes sociais para compartilhar sua experiência com casos de violência doméstica. Recentemente, ela publicou um vídeo em que faz uma ligação para uma vítima que não compareceu a uma audiência, explicando seus direitos e alertando sobre a natureza imutável do comportamento violento.

No vídeo, a juíza se dirige a uma mulher que havia sido intimada para uma audiência de lesão corporal, mas não compareceu. Flávia Justa destacou que a ausência pode ser interpretada como falta de interesse em testemunhar e, por isso, decidiu contatar a vítima para confirmar sua vontade. Durante a conversa, a magistrada enfatizou que a decisão de se manifestar ou permanecer em silêncio era da vítima e discutiu as medidas protetivas disponíveis.

Ela afirmou: “Você não precisa reviver isso, você tem o direito de se manifestar como você tem o direito de ficar em silêncio.” A juíza também questionou sobre a situação atual da mulher, que indicou que o agressor havia mudado, mas que ainda não confiava nele. Flávia Justa respondeu: “É bom, é bom não confiar.” Em seguida, pediu que a vítima refletisse sobre sua decisão e as possíveis consequências.

Em um segundo vídeo, a juíza abordou novamente o caso, explicando que a mulher acreditava que o agressor havia mudado, mas alertou: “Ele não vai mudar. Se ele não se tratar, se ele não fizer um tratamento psicológico, se ele não procurar um grupo de apoio, ele não vai mudar. Não caia nessa conversa de que ele mudou, não aceite ele de volta pra apanhar de novo.”

Flávia Justa ressaltou que a ausência de violência momentânea não significa que o comportamento agressivo tenha desaparecido. “Ele está com agressividade em suspenso. Mas a partir do momento que você voltar pra ele, os atos de agressão irão voltar,” destacou a juíza.

A magistrada também compartilhou uma experiência observada em outro processo, onde uma vítima acreditou que seu agressor havia mudado, apesar de ele ter admitido ter um “lado agressivo”. Flávia Justa concluiu que é crucial que as vítimas estejam atentas aos sinais dados pelos agressores, enfatizando: “Fique atenta. Preste atenção no que ele fala.”

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