USS Abraham Lincoln atraca em Pattaya após 250 dias no mar, trazendo esperança para o comércio local

O porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln atracou na Tailândia em 2 de setembro, após um inédito período de 250 dias no mar sem parar em um porto. Essa parada, próxima à cidade de Pattaya, oferece a cerca de 5 mil fuzileiros navais dos EUA um descanso muito esperado.

Pattaya, conhecida por sua vida noturna vibrante e turismo sexual, é frequentemente chamada de “Cidade do Pecado”, um rótulo que as autoridades tailandesas rejeitam. A presença militar dos EUA na cidade traz à tona memórias históricas, já que muitos soldados americanos visitaram Pattaya durante a Guerra do Vietnã em busca de lazer.

A chegada dos militares

Os becos iluminados com néon de Pattaya estão mais tranquilos do que o habitual, com a famosa Walking Street exibindo vídeos de dançarinas, mas com poucos clientes. A cidade, que atualmente recebe principalmente famílias do Oriente Médio, aguarda ansiosamente a chegada dos fuzileiros navais, que economizaram seus salários durante quase nove meses no mar.

O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego em novembro para uma missão inicialmente prevista para durar seis meses, mas foi desviado para o Golfo Pérsico devido a operações militares dos EUA e Israel contra o Irã. Recentemente, membros do Congresso dos EUA expressaram preocupação com as condições a bordo, incluindo escassez de alimentos e estresse psicológico entre a tripulação. A Marinha dos EUA reconheceu as dificuldades, mas afirmou que a tripulação recebe apoio adequado.

‘Que gastem o dinheiro aqui’

A Tailândia, aliada dos EUA, frequentemente recebe visitas de navios da Marinha americana. Este contingente, no entanto, é o maior a chegar diretamente de uma zona de guerra desde a queda de Saigon em 1975. Vendedores locais, como Anon Saiteer, esperam que os fuzileiros navais gastem dinheiro na cidade, oferecendo descontos especiais em suas lojas.

As autoridades americanas e tailandesas estão trabalhando para garantir que a visita ocorra sem gerar manchetes sensacionalistas. Algumas áreas, como a Soi 6, famosa por seus bares de strip-tease, estão proibidas para a presença militar americana. Apesar da prostituição ser ilegal na Tailândia, estima-se que existam entre 25 mil e 50 mil profissionais do sexo na cidade.

As restrições

Além da Soi 6, as lojas de cannabis e algumas atividades aquáticas também estão proibidas para os militares. O prefeito de Pattaya, Poramase Ngampiches, reconheceu que a cidade é estigmatizada, mas enfatizou que Pattaya está mudando e agora oferece uma variedade de opções de turismo, incluindo esportes e atividades familiares.

As autoridades mobilizaram centenas de policiais para monitorar as áreas de entretenimento e alertaram os comerciantes para não cobrarem preços abusivos dos turistas americanos. A Marinha dos EUA organizou um serviço de ônibus entre o porto e Pattaya, e dois hotéis estão disponíveis para os tripulantes que desejarem pernoitar na terra.

Da pesca ao turismo sexual

Pattaya, a cerca de 100 quilômetros de Bangkok, começou como uma pequena vila de pescadores, mas se transformou em um destino turístico popular após a chegada dos militares americanos nos anos 50. Durante a Guerra do Vietnã, a cidade se tornou um ponto de parada para soldados, o que impulsionou a abertura de hotéis e bares, estabelecendo uma cultura de turismo sexual que persiste até hoje.

Embora a prostituição seja tecnicamente ilegal, a cidade continua a ser um centro para essa indústria, que é visível apesar das frequentes batidas policiais. As autoridades locais tentam diversificar a imagem de Pattaya, promovendo atividades que vão além do turismo sexual.

Com informações de Jonathan Head, correspondente da BBC no Sudeste Asiático.

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