A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na tarde de quinta-feira (24). A mesma atitude foi registrada na edição anterior do evento. Durante o discurso, Netanyahu foi vaiado por muitos presentes, e a saída da delegação brasileira foi acompanhada por diversas outras, levando o presidente da sessão, Khalilur Rahman, a pedir ordem repetidamente.
No início da semana, o presidente Lula (PT) havia criticado Netanyahu, acusando-o de genocídio em Gaza durante a abertura dos debates na ONU. Lula afirmou que “gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”.
A delegação do Brasil presente no discurso de Netanyahu era composta por funcionários da missão do Brasil na ONU, enquanto o chanceler Mauro Vieira não estava presente, participando de um evento em apoio à UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também estava ausente, participando do mesmo evento que Vieira, o qual foi organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. Guterres já foi declarado persona non grata por Israel devido a suas críticas à guerra em Gaza, assim como Lula.
Durante o evento, Vieira criticou as ações israelenses, mencionando uma campanha orquestrada contra a UNRWA, que inclui ataques militares ilegais e perseguições jurídicas. Ele destacou a demolição da sede da agência em Jerusalém Oriental e a invasão do centro de formação profissional em Qalandiya, na Cisjordânia.
Netanyahu enfrenta um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas os EUA, não sendo signatários do Estatuto de Roma, não se sentem obrigados a cumprir a ordem. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, havia afirmado que prenderia Netanyahu caso ele visitasse a cidade, mas posteriormente recuou, reconhecendo sua falta de autoridade.
Protestos foram realizados em Nova York contra a presença de Netanyahu na ONU, resultando na prisão de cerca de cem manifestantes, incluindo figuras como as atrizes Hannah Einbinder e Susan Sarandon. Os protestos ocorreram no Bryant Park, onde manifestantes, incluindo judeus ortodoxos, expressaram que “a ocupação da Palestina é uma violação do judaísmo”.
No discurso, Netanyahu criticou Mamdani, acusando-o de apoiar o Hamas, ao que o prefeito respondeu afirmando que Netanyahu “repete mentiras” para encobrir o genocídio de palestinos. Coincidentemente, Netanyahu discursou no mesmo dia em que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participou por videochamada, após a negativa de visto por parte dos EUA.




