A presidente do Peru, Keiko Fujimori, deu início a uma política educacional rigorosa, conforme prometido durante sua campanha eleitoral. Em um evento realizado em um colégio de Chaclacayo, a cerca de 30 km de Lima, no dia 12 de novembro, ela anunciou que meninos não poderão mais usar cabelo comprido nas escolas públicas.
Durante sua fala, Keiko enfatizou que “os garotos devem vir de cabelo curto” e que será “totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”. O novo regulamento também proíbe unhas pintadas e o uso de celulares dentro das instituições de ensino. “A ordem não deve existir apenas nas ruas. Também precisa retornar às nossas escolas, às nossas salas de aula”, declarou a presidente.
Além das restrições mencionadas, Keiko anunciou a restauração das “notas de conduta”, que avaliam a pontualidade e o comportamento dos alunos, as quais haviam sido eliminadas em 2019. Ela também afirmou que expulsões de alunos serão uma realidade, afirmando que “os mais malcriados não estarão nas salas de aula”.
Embora as regras ainda não tenham sido formalmente estabelecidas, o Ministério da Educação do Peru divulgou uma resolução que convida a sociedade a opinar sobre as novas normas em um prazo de 15 dias. O ministro da Educação, José Antonio Chang, já adiantou algumas das diretrizes, incluindo a proibição de “maquiagem, esmalte e cabelos excessivamente longos ou tingidos”, além de garantir que as saias escolares tenham um comprimento adequado.
As novas regras afetarão aproximadamente 6,7 milhões de estudantes nas escolas públicas, que representam 72% do total de alunos da educação básica no país. As 2,6 milhões de crianças e adolescentes que frequentam escolas particulares, geralmente de famílias com maior poder aquisitivo, seguirão as normas de suas respectivas instituições.
O ministro também mencionou que as escolas irão restabelecer a possibilidade de expulsão em casos de infrações graves, que incluem agressões físicas e uso indevido do celular. Os alunos que forem permanentemente afastados continuarão seus estudos em um formato híbrido, com aulas virtuais e atendimentos presenciais.
Keiko justificou suas medidas, afirmando que “sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida”. Ela destacou que essas regras visam estabelecer disciplina nas escolas.
As novas diretrizes, no entanto, geraram críticas imediatas. A senadora Ruth Luque, opositora de Keiko, questionou a lógica de medir a educação pela aparência dos alunos, afirmando que “agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?”. Ela também defendeu a necessidade de mais investimentos na educação, argumentando que a autoridade docente deve ser construída de maneira diferente.
As medidas adotadas por Keiko lembram as implementadas em El Salvador, onde o presidente Nayib Bukele estabeleceu regras rígidas para a aparência dos alunos nas escolas. Bukele, que governa o país sob um estado de exceção, determinou que diretores de escolas devem verificar se os estudantes estão com uniformes “limpos e ordenados” e com “corte de cabelo apropriado”.
Keiko Fujimori tem uma visita programada ao presidente Bukele no final de outubro. Durante sua campanha, Bukele foi mencionado como uma inspiração para o combate à criminalidade no Peru, que enfrenta um aumento nas taxas de extorsões e homicídios.




