A Motorola, sob a liderança de Sérgio Buniac como CEO global desde 2018, tem se reposicionado no mercado de smartphones após dificuldades em competir com os modelos ultra premium da Apple e Samsung. A empresa, que é uma subsidiária da Lenovo, decidiu focar na linha intermediária Moto G, que conquistou espaço em países emergentes, como Brasil e México, e atualmente detém 31% do mercado brasileiro, ficando atrás apenas da Samsung.
Com o objetivo de recuperar a rentabilidade, Buniac destacou que a missão da empresa era restabelecer resultados operacionais e garantir a sustentabilidade do negócio, algo alcançado nos primeiros 12 meses de sua gestão. Agora, a Motorola busca retomar sua presença no mercado premium, que já foi seu, com o lançamento da linha Signature, que possui preços em torno de R$ 9 mil e câmeras avançadas. A expectativa é capturar uma fatia do mercado ultra premium, que deve atingir 112 milhões de unidades até 2026, conforme dados da IDC.
A nova linha Signature representa a segunda tentativa da Motorola de se firmar nesse segmento, sendo que a empresa já lidera o mercado de celulares dobráveis com a linha Razr. Apesar dos dobráveis serem caros, as vendas não atingiram a escala esperada, com previsão de 26,8 milhões de unidades vendidas em 2026, o que representa apenas 3% do mercado total de smartphones.
Nos últimos anos, a estratégia de “premiunização” tem beneficiado a Motorola, com as linhas Razr e Edge contribuindo com 30% do faturamento da empresa em alguns mercados. A linha Edge, em particular, tem ganhado popularidade entre empresas que buscam dispositivos robustos para seus funcionários.
Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola no Brasil, enfatizou a importância de um crescimento consistente e gradual, que culminou no lançamento da linha Signature. No entanto, a empresa reconhece o desafio de atrair usuários da Apple e Samsung, que tendem a ser leais às suas marcas. A Motorola planeja abordar esse desafio através do que chama de “lifestyle tech”, focando em design e desejo, além de especificações técnicas.
A empresa tem patrocinado eventos de grande visibilidade, como a Fórmula 1 e a Copa do Mundo, e colaborado com a Pantone para desenvolver smartphones em cores exclusivas. A tentativa de se estabelecer no mercado ultra premium ocorre em um cenário de escassez de chips de memória, que pode aumentar os preços dos dispositivos. No entanto, Vidigal acredita que a Lenovo, sendo uma das maiores compradoras de memória do mundo, está em uma posição favorável para mitigar os impactos dessa escassez.




