Alta nos preços dos alimentos pressiona inflação no Brasil após conflito no Oriente Médio

Um mês após o início do conflito no Oriente Médio, a pressão sobre os preços globais dos alimentos aumentou, conforme relatado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Em março, a média dos preços internacionais dos cinco principais indicadores monitorados pela FAO — cereais, carnes, açúcar, óleos vegetais e leite — subiu 2,4% em relação a fevereiro, impulsionada pelo ataque ao Irã.

No Brasil, a situação é ainda mais preocupante, pois, mesmo sem uma relação direta com o conflito, os preços de alimentos básicos aumentaram, impactando a inflação. Segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), produtos como arroz, leite, feijão e itens in natura tiveram alta, resultando em um aumento médio de 1,36% em março em São Paulo, o maior registrado em um ano.

A elevação dos preços em março é atribuída principalmente aos custos de energia, fretes e seguros. Apesar desse aumento, os preços médios dos alimentos ainda estão 19,8% abaixo dos valores de 2022, ano em que ocorreu a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os preços médios globais dos cereais subiram 1,5% em março, com trigo e milho liderando essa alta. O aumento nos preços dos fertilizantes e a maior utilização de milho para a produção de etanol também contribuíram para essa elevação, conforme a FAO.

O arroz, por sua vez, teve uma redução de 3% nos preços internacionais no mês passado, devido a uma demanda global mais baixa e maior concorrência entre exportadores. No entanto, no Brasil, o arroz voltou a encarecer, com um aumento de 1,85% para os consumidores nos supermercados, segundo dados da Fipe. O feijão, com uma oferta reduzida, teve um aumento significativo de 17%.

Outros produtos com potencial para diminuir a dependência do petróleo também apresentaram alta: óleo vegetal e açúcar. O açúcar teve um aumento médio global de 7,2% em março, e a FAO sugere que o Brasil poderia direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol. Os óleos vegetais, por sua vez, subiram 5,1% em março em relação a fevereiro e estão 13% acima dos valores do mesmo mês de 2025.

Os preços dos óleos vegetais refletem a alta do petróleo, com os óleos de palma e soja sendo os mais impactados, já que têm uma grande participação na composição do óleo diesel. A Indonésia, um dos principais fornecedores mundiais de óleo de palma, anunciou um plano para implementar uma mistura de 50% desse óleo ao diesel. Os Estados Unidos também planejam aumentar o uso de biodiesel, que é composto principalmente por óleo de soja, para apoiar os produtores agrícolas. O Brasil e outros países já adotam essa política.

As carnes apresentaram um aumento de 1% em fevereiro e estão 8% acima dos preços de março de 2025, segundo a FAO. O aumento no preço da carne bovina é atribuído à alta no Brasil, enquanto a carne suína enfrenta uma demanda maior na Europa. Em contrapartida, a carne de frango teve uma queda de preço devido a uma maior oferta e redução nos preços no Brasil, que é o maior exportador mundial.

No que diz respeito ao leite, após um longo período de queda, os preços subiram 1,2% na média global. No Brasil, a alta foi ainda mais acentuada, atingindo 11,4% em março em comparação a fevereiro, conforme a Fipe. Apesar desse aumento, o leite acumula uma queda de 8,4% para o consumidor em São Paulo ao longo de 12 meses. A FAO, por sua vez, indica uma retração mundial de 18,7% no mesmo período.

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