Itália abre contratação de profissionais estrangeiros da saúde com salários de até R$ 44,6 mil mensais até 2029

O governo da Itália implementou uma nova estratégia para atrair profissionais estrangeiros da área da saúde, incluindo brasileiros, visando combater a escassez de médicos e enfermeiros no país. A iniciativa permite que hospitais públicos e privados contratem profissionais formados fora da União Europeia, com salários que podem alcançar até R$ 44,6 mil mensais, dependendo da função e da região.

Essa medida foi ampliada após alterações na legislação italiana, que foram aprovadas no orçamento de 2026, estendendo até 31 de dezembro de 2029 o prazo para que médicos e enfermeiros estrangeiros possam exercer a profissão enquanto aguardam o reconhecimento definitivo de seus diplomas.

A decisão do governo italiano ocorre em um contexto de crise no Sistema Nacional de Saúde (SSN), que enfrenta desafios devido ao envelhecimento acelerado da população e à migração de profissionais para outros países.

Dados indicam que, entre 1984 e 2024, a proporção de pessoas com mais de 65 anos dobrou, passando de 12,9% para 24,3%. Além disso, a população com mais de 80 anos triplicou, aumentando a necessidade de atendimento médico. Estima-se que até 39 mil profissionais de saúde se aposentem até 2038, com um pico previsto entre 2029 e 2033. Atualmente, o país já enfrenta uma escassez de cerca de 16,5 mil médicos.

Contratação pode ocorrer antes da validação do diploma

Com as novas regras, profissionais estrangeiros poderão ser contratados por hospitais enquanto o processo de reconhecimento do diploma está em andamento no Ministério da Saúde italiano. Anteriormente, médicos formados fora da União Europeia, incluindo brasileiros, podiam esperar até dois anos para obter autorização para exercer a profissão no país.

Apesar da flexibilização, alguns requisitos continuam obrigatórios, como tradução oficial dos diplomas, apresentação de documentos consulares e, em muitos casos, registro temporário nas autoridades de saúde regionais. O domínio da língua italiana também é considerado essencial para a contratação.

Estratégia para enfrentar o “inverno demográfico”

A abertura para profissionais estrangeiros integra uma estratégia mais ampla do governo italiano para enfrentar o chamado “inverno demográfico”, caracterizado pela diminuição da população e pelo envelhecimento acelerado da sociedade.

Nos últimos anos, muitos médicos italianos migraram para outros países em busca de melhores condições de trabalho. Entre 2000 e 2022, cerca de 180 mil profissionais de saúde deixaram o país, sendo aproximadamente 131 mil médicos e 48 mil enfermeiros.

Para atender à demanda por mão de obra, o governo anunciou a emissão de quase 500 mil vistos de trabalho para estrangeiros até 2028, abrangendo diversos setores da economia. Contudo, especialistas alertam que a burocracia ainda pode limitar a eficácia das contratações. Em 2023, dos 130 mil vistos de trabalho disponibilizados, apenas 56% receberam autorização inicial e menos de 8% resultaram na concessão final de residência.

Apesar desses desafios, a nova abertura representa uma oportunidade para profissionais de saúde brasileiros que buscam atuar na Europa, especialmente diante da crescente demanda por médicos e enfermeiros no sistema público italiano.

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