Macron defende Europa mais forte e critica tarifas de Trump durante Fórum Econômico Mundial em Davos

No encontro anual do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suíça, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um discurso em que enfatizou a necessidade de uma Europa mais forte e unida. Em sua fala, Macron mencionou que a Europa “prefere o respeito aos valentões”, uma alusão indireta ao presidente americano Donald Trump, cujas ações recentes têm colocado em dúvida as alianças tradicionais com os europeus.

Macron não citou Trump diretamente, mas defendeu um multilateralismo eficaz como forma de proteger os interesses europeus em um mundo cada vez mais imprevisível. “Diante da brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque ele serve aos nossos interesses e aos de todos que recusam se submeter ao domínio da força”, afirmou.

Após o discurso, o presidente francês participou de um diálogo com Larry Fink, bilionário e CEO do fundo de investimentos BlackRock. Durante essa conversa, Macron abordou a ameaça de Trump de impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, caso a França não aceitasse participar de um comitê proposto pela Casa Branca para discutir o futuro de Gaza. “Não faz sentido haver tarifas entre aliados, e até ameaçar agora com tarifas adicionais”, declarou Macron. “Não vamos perder tempo com ideias malucas. Não vamos abrir a caixa de Pandora em temas novos. Não é hora de um novo imperialismo ou um novo colonialismo”, completou.

Em resposta, Trump divulgou uma mensagem enviada por Macron, na qual o presidente francês expressou alinhamento sobre questões como a Síria e o Irã, e questionou as ações americanas em relação à Groenlândia. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, propondo a inclusão de representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia. No entanto, minutos depois, a imprensa francesa informou que esse encontro não ocorrerá na quinta-feira.

Sobre as tarifas, Macron reiterou que a França protegerá seus produtores, sem se deixar impressionar pelas ameaças. Embora não tenha mencionado diretamente o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que foi assinado recentemente, ele defendeu uma postura mais protecionista para a Europa, com salvaguardas e cláusulas-espelho nos acordos comerciais. Além disso, fez uma breve referência ao Brics, defendendo a construção de pontes e cooperações com países emergentes, incluindo os integrantes do bloco e do G20.

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