O advogado Wilson Marqueti Junior anunciou nesta terça-feira (10) sua desistência em registrar a candidatura à presidência da Federação Paulista de Futebol (FPF) e informou que irá recorrer à Justiça para tentar suspender o edital de convocação da eleição da entidade. A declaração foi feita na data limite para a inscrição das chapas.
Marqueti, que já foi vice-presidente de Relações Governamentais da FPF, critica as regras do atual processo eleitoral, alegando que comprometem a lisura da disputa e ferem princípios de transparência. Um dos principais pontos de contestação é a previsão de voto aberto na eleição, que, segundo ele, foi definida unilateralmente pela presidência da federação, enquanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adota o voto secreto.
Outro aspecto questionado por Marqueti é a falta de uma lista completa de clubes e ligas com direito a voto no edital, o que, segundo ele, compromete a transparência do processo eleitoral. Além disso, a composição da comissão eleitoral, formada por membros ligados a órgãos mantidos pela própria federação, também foi alvo de críticas, pois, na visão do advogado, essa estrutura não garante a independência necessária para conduzir a eleição.
Marqueti ainda argumenta que o momento da convocação dificulta o debate entre os dirigentes, uma vez que os clubes estão envolvidos em fases decisivas das competições estaduais, como as finais da Série A1 e as etapas de classificação e rebaixamento das Séries A2 e A3.
“Agradeço imensamente a todos que me apoiaram e incentivaram durante essa trajetória. As regras eleitorais, da forma como estão postas, servem para sufocar a oposição e intimidar vozes divergentes”, declarou. A decisão de não registrar a chapa neste momento foi tomada para contestar judicialmente as normas do processo.
A Federação Paulista de Futebol, por sua vez, afirmou que o processo eleitoral é conduzido “com transparência, rigor jurídico e total observância ao Estatuto Social e à Lei Geral do Esporte”. Em nota, a entidade garantiu que a comissão eleitoral atua com “plena autonomia” e é composta por membros independentes “de reputação ilibada”, assegurando imparcialidade e legitimidade em todas as etapas do pleito.
A FPF também destacou que a publicação do edital e o acesso à lista de filiados aptos a votar seguem os ritos estatutários, permitindo aos interessados o pleno exercício de seus direitos. A entidade expressou “total tranquilidade quanto à lisura do processo eleitoral” e afirmou que o pleito seguirá “seu curso democrático em prol do fortalecimento do futebol paulista”.
Wilson Marqueti deixou a vice-presidência de Relações Governamentais da FPF em 2025 e tem criticado publicamente a gestão do atual presidente, Reinaldo Carneiro Bastos, a quem acusa de conduzir a entidade de forma autoritária. O presidente protocolou o registro da sua chapa nesta terça-feira, contando com o apoio de clubes como Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, além de um grande respaldo de ligas e clubes filiados.
Desde 1987, quando Eduardo José Farah venceu Carlos Alberto de Oliveira, as eleições na federação paulista não têm contado com disputas entre candidatos. Nas últimas décadas, os presidentes foram eleitos por aclamação.




