A Marcopolo, empresa caxiense reconhecida no setor de transporte, tem se destacado na construção de trens de passageiros e veículos leves sobre trilhos (VLTs), impulsionada pelo Marco Legal das Ferrovias, sancionado no final de 2021. A nova legislação permite a iniciativa privada explorar trechos de malha ferroviária abandonados, que somam cerca de 8 mil quilômetros no Brasil.
Com sede em Caxias do Sul, a Marcopolo Rail já entregou projetos como o aeromóvel que conecta os terminais do Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Trem dos Pampas, em colaboração com a Giordani Turismo. Atualmente, a empresa está desenvolvendo VLTs para Campina Grande (PB) e Arapiraca (AL), com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Ruben Antonio Bisi, executivo da Marcopolo, destacou a grande oportunidade que o mercado ferroviário representa, enfatizando a escassez de trens de passageiros no Brasil. Ele mencionou a participação da empresa em diversas concorrências tanto no Brasil quanto no exterior, visando aumentar a produção e a montagem de trens.
Outro destaque do setor ferroviário é a Randoncorp, que se consolidou como uma das principais fabricantes de vagões de carga na América Latina. Recentemente, a empresa anunciou um contrato de R$ 770 milhões com a multinacional Arauco para a produção de 700 vagões, com entrega prevista entre maio de 2023 e novembro de 2027. A Randoncorp já produziu mais de 13 mil vagões de carga e vê o segmento ferroviário como estratégico para sua diversificação de mercados.
A Metalúrgica Guarany, de Caxias do Sul, também se destaca como fornecedora de componentes para vagões de carga e aguarda a aprovação de um projeto que prevê a substituição obrigatória de vagões com mais de 50 anos. Essa nova legislação poderia aumentar a demanda por fabricantes como a Guarany, que fornece peças para o sistema de freios dos vagões de carga.
As duas empresas, Marcopolo e Randoncorp, não apenas impulsionam seus negócios, mas também beneficiam uma ampla cadeia de fornecedores locais e regionais, contribuindo para um futuro mais sustentável. A utilização do transporte ferroviário, que é mais eficiente em termos de custo e energia, pode ajudar a reduzir a dependência do transporte rodoviário, que tem se mostrado cada vez mais custoso.
Entretanto, o Rio Grande do Sul enfrenta desafios significativos na recuperação de sua malha ferroviária, tendo perdido 75% de sua estrutura nos últimos 30 anos. A falta de ferrovias é vista como um dos maiores gargalos logísticos para a região, impactando tanto a recepção de matérias-primas quanto a entrega de produtos. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, Paulo Scopel, ressaltou que a dependência do transporte rodoviário eleva os custos logísticos, prejudicando a competitividade das empresas locais.
Com a crescente demanda por soluções sustentáveis e a necessidade de modernização do transporte no Brasil, o setor ferroviário pode se tornar uma oportunidade valiosa para empresas caxienses que buscam expandir suas operações e contribuir para um futuro mais eficiente e responsável em termos ambientais.




