O filósofo Dan Williams destaca que o desconforto gerado pelas redes sociais resulta da perda do controle que a mídia tradicional exercia, permitindo que a população expusesse opiniões anteriormente silenciadas. Essa nova dinâmica proporciona voz a grupos com crenças controversas, o que desagrada a elite intelectual.
A massa que não tolera nuances nem discordância exerce influência significativa na política, levando a resultados indesejados. Exemplos incluem a saúde pública, com hospitais que não tratam adequadamente o câncer, e a segurança, que, apesar de viaturas modernas, apresenta baixas taxas de resolução de crimes. O foco deste artigo será o trânsito, que evidencia a incapacidade coletiva de lidar com problemas sociais complexos.
O trânsito reflete um sistema que tende a piorar. As políticas públicas, como a construção de túneis, podem inicialmente parecer eficazes, mas acabam estimulando o uso excessivo das vias, levando à saturação. A quantidade de trajetos pessoais não é fixa; pequenas mudanças na percepção de tempo de deslocamento podem aumentar o número de viagens diárias.
Em São Paulo, 88% das vias são ocupadas por automóveis, que transportam apenas 30% da população. Essa realidade é agravada pela tendência de “carrolatria”, onde veículos maiores, como SUVs, ocupam mais espaço e contribuem para o aumento dos congestionamentos e da gravidade de acidentes.
Estudos nos EUA indicam que cada vida salva em um SUV em um acidente corresponde a 12 mortes de ocupantes de veículos menores, além de representar um risco elevado para pedestres. A situação em São Paulo é preocupante, com carros e motocicletas se tornando pragas urbanas, trazendo consigo poluição, acidentes e atrasos no transporte público.
As motocicletas, por sua vez, têm se tornado uma alternativa popular, apesar do risco elevado, como uma forma de escapar da ineficiência do transporte coletivo. Este fenômeno ilustra a espiral da morte do transporte público, onde a priorização do uso de carros e a construção incessante de vias torna o sistema de ônibus cada vez menos viável economicamente.
Em São Paulo, o subsídio às operadoras de ônibus cresceu significativamente, representando 5% do orçamento público municipal. O número de passageiros caiu, exigindo ainda mais recursos para manter o sistema, o que resulta em um ciclo vicioso de queda na atratividade do transporte coletivo e aumento do uso de veículos individuais.
O resultado é um cenário alarmante, onde motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas enfrentam riscos diários, refletindo uma crise de mobilidade urbana que exige atenção imediata.




