Poutine propõe Gerhard Schröder como mediador na guerra na Ucrânia, mas Berlin rejeita a ideia

O presidente russo, Vladimir Poutine, propôs seu amigo e ex-chanceler alemão Gerhard Schröder como mediador na guerra na Ucrânia, mas a sugestão foi recebida com frieza em Berlim no domingo, 10 de maio. Poutine expressou sua preferência por Schröder, que foi chancelar de 1998 a 2005 e tem sido um aliado próximo do Kremlin.

Fontes governamentais em Berlim afirmaram que a proposta se insere em uma série de “falsas ofertas” da Rússia. O governo alemão vê isso como parte de uma “estratégia híbrida bem conhecida” do Kremlin e sugere que um primeiro teste de credibilidade seria a extensão da trégua por parte da Rússia.

Um debate no SPD

Gerhard Schröder enfrentou críticas dentro do Partido Social-Democrata (SPD) por sua recusa em condenar a invasão da Ucrânia em 2022, o que lhe custou alguns privilégios como ex-chanceler. Ele teve papéis importantes nos projetos dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, além de ter ocupado um cargo no conselho da Rosneft, empresa petrolífera russa, do qual se afastou em 2022.

Michael Roth, ex-presidente da comissão de assuntos estrangeiros do Bundestag, afirmou que um mediador entre a Rússia e a União Europeia “não pode ser simplesmente o amigo de Poutine”, enfatizando que a aceitação do mediador pela Ucrânia é crucial. No entanto, alguns membros do SPD, que possuem uma vertente pacifista, estão mais abertos à proposta de Poutine, argumentando que deve ser considerada em estreita colaboração com os parceiros europeus.

O deputado Ralf Stegner também comentou que, para evitar que Poutine e Trump decidam o futuro da Ucrânia, é necessário aproveitar todas as oportunidades, mesmo que sejam mínimas. Markus Frohnmaier, deputado do partido de extrema direita AfD, defendeu que o governo federal deveria apoiar a iniciativa de Poutine. Por outro lado, Agnieszka Brugger, vice-presidente do grupo parlamentar dos Verdes, classificou a oferta como uma “manobra retórica pura”.

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