No último sábado, 15 de outubro, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciou sua proposta para iniciar negociações com a Coreia do Norte, com o objetivo de encerrar formalmente a guerra entre os dois países e substituir o armistício atual por um acordo de paz permanente.
Durante seu discurso em comemoração ao Dia da Libertação da Coreia, Lee enfatizou a intenção de Seul de promover uma convivência pacífica com Pyongyang e estabelecer mecanismos que evitem novas escaladas militares na península coreana. O presidente sul-coreano convocou as duas nações a se reunirem para discutir o futuro das relações bilaterais.
A Guerra da Coreia, que ocorreu entre 1950 e 1953, nunca foi oficialmente encerrada com um tratado de paz, tendo os combates sido interrompidos por um armistício em 1953. Isso significa que, tecnicamente, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte permanecem em estado de guerra até os dias atuais.
Lee Jae Myung declarou: “Vamos deixar de lado nossas intenções de ameaçar uns aos outros e iniciar discussões para encerrar a guerra de longa duração como partes diretamente envolvidas”. Ele expressou a esperança de que representantes dos dois países possam se encontrar pessoalmente em busca de uma “coexistência pacífica e crescimento mútuo”.
As possíveis negociações também podem abranger o programa nuclear da Coreia do Norte. Segundo Lee, uma mesa de diálogo poderia discutir medidas eficazes para conter o avanço das capacidades nucleares de Pyongyang.
O governo sul-coreano planeja implementar medidas preventivas para reduzir tensões e estabelecer um sistema de segurança em múltiplos níveis, evitando que incidentes entre as duas nações evoluam para confrontos de maior escala. Lee afirmou que Seul buscará ações contínuas para evitar escaladas militares.
Essa proposta surge em um contexto de grande distanciamento entre as duas Coreias, um dos períodos mais tensos nas últimas décadas. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, abandonou a política de reunificação anterior com o Sul, passando a classificar a Coreia do Sul como seu principal inimigo e ordenando o fortalecimento das defesas militares na região fronteiriça.
Em 2024, Kim declarou que a reunificação pacífica já não era uma possibilidade e defendeu mudanças na Constituição da Coreia do Norte para rotular a Coreia do Sul como um Estado inimigo. Na mesma ocasião, ele afirmou que, em caso de guerra, Pyongyang deveria buscar ocupar e incorporar o território sul-coreano.




