A zona abissal dos oceanos é comparável ao submundo dos empréstimos consignados no Brasil, onde transações obscuras e fraudes são comuns. Recentemente, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou a suspensão de novos contratos de cartão de crédito consignado pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), após constatações de irregularidades e falta de segurança no sistema eConsignado. Contudo, essa decisão foi rapidamente revertida após uma reunião com representantes do setor financeiro, que alegaram a necessidade de crédito para aposentados.
O TCU não é novo nesse tipo de investigação. Há um ano, uma auditoria revelou que as fraudes no INSS poderiam chegar a R$ 6,3 bilhões, mas a venda casada de empréstimos consignados poderia alcançar R$ 219 bilhões. Apesar das irregularidades, a auditoria foi arquivada sem grandes consequências.
A última ação do TCU resultou em algumas melhorias nas regras de segurança. O INSS implementará a biometria facial para os empréstimos consignados, um processo que ocorrerá em duas etapas: o beneficiário solicitará o crédito e receberá a proposta no aplicativo Meu INSS, que só será liberada após a confirmação do reconhecimento facial em até cinco dias.
No entanto, o TCU já havia identificado diversas falhas no sistema, incluindo vazamentos de dados pessoais e empréstimos concedidos a múltiplas pessoas usando a mesma biometria. Apesar disso, os empréstimos foram liberados, e o INSS puniu parcialmente alguns bancos envolvidos em fraudes.
As iniciativas do INSS e do TCU ainda são insuficientes para conter a quantidade de fraudes perpetradas no sistema financeiro. O TCU possui melhores condições para fiscalizar e intervir, mas suas ações parecem ser apenas pequenos esforços que não resolvem a profundidade do problema.




