Gravações revelam empresários do INSS negociando contratos com ex-ministro José Carlos Oliveira

Uma gravação recente revela que os empresários Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Igor Dias Delecrode, investigados pela Polícia Federal por envolvimento em fraudes relacionadas ao INSS, contaram com a intermediação do ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira para assegurar contratos com o órgão previdenciário. O vídeo, capturado em 22 de maio de 2025, foi encontrado nas câmeras de segurança da residência de Cordeiro e apresenta diálogos que sugerem um esquema de corrupção em meio a investigações que já apuravam desvios de R$ 6,2 bilhões.

As imagens mostram os empresários, parte de um grupo conhecido como “golden boys”, discutindo a facilitação de contratos com Oliveira, que era o responsável pelo INSS na época. Delecrode menciona que Wilson Roberto Gomes, pai de outro membro do grupo, Felipe Macedo Gomes, atuou como intermediário nesse processo. Em suas declarações, ele reproduz uma fala atribuída a Gomes, que teria afirmado: “Eu que consegui o negócio para vocês, eu que sentei lá com o Oliveira, eu que disse que podia acreditar em vocês”. Anderson também cita uma frase que teria sido dita a Oliveira: “Faz pro meu filho como se fosse pra mim”. Além disso, Anderson afirmou não ter conhecimento sobre um suposto suborno em forma de helicóptero destinado a um indivíduo referido como “big boss”.

GOLDEN BOYS

O grupo dos “golden boys” é composto por jovens empresários que presidiram quatro associações suspeitas, incluindo a Amar Brasil Clube de Benefícios e a Master Prev, que, juntas, geraram receitas superiores a R$ 700 milhões por meio de acordos com o INSS. Durante a gestão de Oliveira, a Amar Brasil firmou seu primeiro acordo de cooperação técnica, o qual rendeu R$ 324 milhões entre 2021 e 2025. Outros três contratos, totalizando R$ 376 milhões, foram assinados durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Investigações revelaram transferências financeiras de R$ 8.000 de Felipe Macedo Gomes para Oliveira, além de R$ 12.500 recebidos por Oliveira de João Carlos Camargo Júnior, um alfaiate conhecido por suas conexões com figuras públicas. As associações do grupo conseguiam acordos que permitiam descontos diretos nas aposentadorias dos beneficiários, em troca de serviços como seguros e planos de saúde.

Até o momento, os “golden boys” não foram presos, mas em abril de 2026, o ministro do STF André Mendonça determinou que eles usassem tornozeleiras eletrônicas. Oliveira também estava sob essa medida, mas teve a tornozeleira removida em setembro de 2026. Ele já foi indiciado por receber propina de outra entidade envolvida no esquema.

O OUTRO LADO

O blog Poder360 tentou contatar as defesas dos empresários e de Wilson para obter comentários sobre as acusações, mas não houve retorno. Os advogados de Anderson, Igor e Felipe afirmaram desconhecer a autenticidade dos vídeos e alegaram que, se existirem, foram obtidos de maneira ilícita. A defesa de Wilson Gomes negou qualquer relação com as associações, enquanto a defesa de José Carlos Oliveira refutou as alegações, afirmando que nunca teve relacionamento com os mencionados e que não influenciou os acordos de cooperação técnica.

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