Convencer um familiar idoso a iniciar uma rotina de exercícios requer mais do que simplesmente afirmar que a atividade é benéfica à saúde. Especialistas alertam que a insistência pode ter o efeito oposto. O primeiro passo é entender as razões por trás da resistência e, a partir disso, encontrar uma atividade adequada que respeite as preferências e limitações da pessoa.
Paulo Farinatti, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), enfatiza que não se deve apenas dizer ao idoso que ele precisa se exercitar, mas sim criar condições que o motivem a querer se exercitar. Em vez de focar nos benefícios gerais, ele sugere que se pergunte ao idoso sobre atividades que ele gostaria de fazer, como passear, encontrar amigos ou brincar com os netos.
Eduardo Caldas Costa, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), aponta que barreiras como dores, doenças, medo de cair e dificuldades de transporte são comuns entre os idosos. Identificar esses obstáculos facilita a busca por soluções, como encontrar um local de exercício mais próximo ou oferecer companhia durante a atividade.
Um exemplo é Sandra Maria Furtado de Macedo, de 77 anos, que começou a frequentar a academia após os 70 anos, incentivada pela filha. Ela havia tentado se exercitar antes, mas não conseguia manter a frequência devido a dores e insegurança. Com o apoio da filha, que pagou seis meses de academia, Sandra começou a treinar regularmente e notou melhorias significativas em sua mobilidade e confiança.
O ambiente da academia também desempenha um papel crucial na motivação dos idosos. Wilson Jacob Filho, geriatra da USP, destaca que academias com ambientes acolhedores são mais propensas a atrair idosos. Marcos Brandão, educador físico, reforça que a relação construída durante as aulas é essencial para manter o interesse dos alunos mais velhos.
Arminda Medeiros, de 98 anos, começou a fazer musculação incentivada por seu médico após um período de inatividade. Ela percebeu melhorias significativas em sua força e confiança, permitindo que ela caminhe até a academia sem dificuldades. Os especialistas recomendam que se mostre aos idosos os pequenos progressos alcançados, como levantar-se da cadeira com mais facilidade, para incentivá-los a continuar se exercitando.
Por fim, a progressão é a chave para os sedentários. Começar com treinos curtos e aumentar gradualmente a intensidade é mais viável do que estabelecer metas difíceis. Além da musculação, exercícios de equilíbrio e mobilidade são essenciais para preservar as capacidades necessárias no dia a dia.




