O fenômeno El Niño atingiu uma intensidade sem precedentes para o mês de julho, conforme análise realizada pela MetSul Meteorologia, que se baseou em dados de monitoramento do Oceano Pacífico e em previsões de centros internacionais de climatologia. O aquecimento das águas na região central-leste do Pacífico já ultrapassa +2°C, um nível associado aos episódios mais intensos já registrados.
Intensidade recorde para esta época do ano
De acordo com a MetSul, as anomalias na temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4, utilizada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) para monitorar o fenômeno, variam entre +2,1°C e +2,2°C. Embora o termo “Super El Niño” não seja uma classificação oficial, é frequentemente usado para descrever episódios em que as anomalias superam +2°C.
Este dado é significativo, pois esse nível de aquecimento foi alcançado em julho, enquanto nos grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2023-2024, esse patamar só foi atingido entre setembro e novembro. No evento de 2015-2016, um dos mais intensos, isso ocorreu apenas em meados de setembro. Para a MetSul, nunca houve um episódio que atingisse tal intensidade tão cedo no calendário.
Modelos indicam fortalecimento até o fim do ano
As projeções mais recentes de modelos climáticos internacionais sugerem um fortalecimento adicional do fenômeno durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul. A mediana dos principais modelos indica que o Índice Oceânico de El Niño (ONI) poderá atingir aproximadamente +3,6°C no final de 2026, superando o recorde observado no evento de 1997-1998. Alguns modelos isolados preveem aquecimento ainda maior, entre +4°C e +5°C, embora esses cenários extremos ainda necessitem de confirmação nas próximas previsões.
Centros internacionais, como a NOAA e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), monitoram continuamente a evolução do fenômeno e atualizam suas projeções à medida que novos dados são incorporados.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo. No Brasil, os efeitos variam conforme a região, com o Sul geralmente registrando precipitações acima da média e maior frequência de tempestades, enquanto partes do Norte e do Nordeste costumam enfrentar redução das chuvas e períodos prolongados de estiagem.
Possíveis impactos para o Brasil
Se o cenário atual se mantiver, a MetSul prevê um aumento significativo na ocorrência de eventos extremos nos próximos meses, especialmente na Região Sul. Entre os principais impactos esperados estão:
- Chuvas acima da média durante a primavera e o verão;
- Maior frequência de episódios de precipitação extrema;
- Aumento do risco de enchentes e inundações;
- Ocorrência mais frequente de temporais com vendavais e granizo.
A influência do El Niño também tende a elevar as temperaturas médias globais, embora cientistas alertem que o aquecimento provocado pelo fenômeno se soma às mudanças climáticas induzidas pelas emissões de gases de efeito estufa.
Previsões ainda podem mudar
Apesar dos sinais de fortalecimento, meteorologistas ressaltam que as previsões para meses à frente possuem incertezas. A intensidade final do fenômeno dependerá da persistência do aquecimento do Pacífico e da resposta da atmosfera ao longo do segundo semestre. A NOAA considera que a caracterização de um evento de El Niño não depende apenas da temperatura do oceano, mas também do acoplamento entre oceano e atmosfera. Assim, os modelos são continuamente revisados conforme novas observações se tornam disponíveis.
Embora o cenário atual seja considerado excepcional para esta época do ano e aumente a probabilidade de um evento histórico, será necessário acompanhar a evolução das condições climáticas nos próximos meses para confirmar se o El Niño de 2026-2027 estabelecerá um novo recorde de intensidade.




