Um documento do Itamaraty enviado à Câmara dos Deputados gerou polêmica ao afirmar que haveria risco de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou descontentamento com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por conta dessa avaliação, que foi considerada um erro. O documento foi uma resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), que questionava as implicações da designação de facções brasileiras como terroristas pelo governo norte-americano.
O governo dos EUA já havia negado publicamente a possibilidade de uma intervenção militar em território brasileiro, chamando a conclusão do Itamaraty de “absurda”. Em uma ligação telefônica, Lula criticou Vieira, ressaltando que o tema não deveria ter sido tratado pelo Itamaraty. A situação gerou desconforto tanto no Planalto quanto nas Forças Armadas, além de causar incômodo dentro do próprio Itamaraty e na Embaixada dos Estados Unidos.
As comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado convocaram o ministro para que ele explique suas declarações sobre a possibilidade de intervenção militar. A avaliação do Itamaraty é que ações militares em países vizinhos poderiam criar precedentes para uma ação semelhante no Brasil. Alguns diplomatas consideram essa possibilidade como parte de um “cálculo de risco”, embora a invasão seja vista como pouco provável.
A principal preocupação gira em torno da possibilidade de que a administração do presidente Donald Trump aprove uma operação militar sem a necessidade de autorização do Congresso dos EUA, um cenário que já foi refutado pelo governo americano. O Itamaraty não se manifestou publicamente sobre o episódio, e a Secretaria de Comunicação da Presidência não respondeu aos pedidos de posicionamento.
EUA REJEITAM DECLARAÇÃO
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, reiterou que a legislação americana não prevê ações militares em decorrência das designações de grupos como terroristas, enfatizando que essas designações visam restrições financeiras e de vistos, e não ações militares.




