Brasil atrai US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2025, com destaque para o setor de serviços

O Brasil se destaca como um dos principais destinos de investimento estrangeiro direto, recebendo US$ 77 bilhões em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país ocupa a terceira posição global em atração de investimentos, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Dados do Banco Central (BC) revelam uma mudança no perfil dos investimentos, com maior direcionamento para o setor de serviços e uma queda na participação da indústria e do setor primário, que abrange agropecuária e extração mineral, ao longo dos últimos anos. Em 2025, US$ 44,366 bilhões do investimento direto foram direcionados à participação no capital das empresas, sendo que 57,2% desse total, ou US$ 25,398 bilhões, foram para serviços.

Nos últimos cinco anos, a média anual de investimento direto no setor de serviços foi de 60,7%, um aumento significativo em comparação aos 50,18% registrados entre 2016 e 2020. A indústria viu sua participação cair de 30,9% para 27,25%, enquanto a do setor primário passou de 18,5% para 11,20%.

Esse movimento reflete transformações na economia brasileira, cada vez mais centrada no setor de serviços. Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, afirma que o aumento da renda média no país beneficia o setor de serviços e atrai investidores estrangeiros. Além disso, a demanda crescente por serviços de Tecnologia da Informação (TI) também contribui para essa mudança, com um aumento de 70% na média anual de investimento direto em TI entre 2021 e 2025.

Os serviços financeiros destacam-se como a categoria com maior crescimento no fluxo de investimento estrangeiro, com o investimento médio anual quase dobrando nos últimos cinco anos, passando de US$ 930 milhões para US$ 1,89 bilhão. André Pineli, do Ipea, observa que o Nubank, um banco que surgiu há menos de uma década, exemplifica essa expansão significativa no setor.

Apesar das mudanças no perfil dos investimentos, especialistas acreditam que o Brasil continua bem posicionado para atrair capital estrangeiro, devido a fatores como o tamanho do mercado consumidor e a infraestrutura. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) enfatiza que o momento é favorável para o fluxo de capital, citando condições de powershoring e estabilidade democrática.

O governo busca também fortalecer as cadeias produtivas, com destaque para a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que foi aprovada recentemente, visando estabelecer marcos regulatórios e incentivar a exploração e o desenvolvimento de cadeias produtivas associadas.

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