Um ano após investir mais de US$ 14 bilhões para trazer Alexandr Wang e sua equipe da Scale AI para revitalizar seus esforços em inteligência artificial, a Meta conseguiu retomar sua presença no setor, embora ainda esteja atrás de concorrentes como OpenAI, Anthropic e Google. O principal feito de Wang foi a entrega do modelo Muse Spark AI em abril, marcando a primeira incursão da Meta em modelos de fundação proprietários.
Agora, a responsabilidade recai sobre o CEO Mark Zuckerberg para transformar esse novo modelo em sucesso financeiro, atraindo usuários pagantes para suas ferramentas de IA, em vez de apenas utilizar a tecnologia para reforçar seu negócio publicitário. Ralph Schackart, analista da William Blair, destaca que a Meta precisa demonstrar mais evidências de adoção e comercialização, já que os investidores esperam que a empresa monetize um novo produto focado em IA.
Apesar de um crescimento de receita de 33% no primeiro trimestre, a Meta viu sua ação cair 18% nos últimos 12 meses, sendo um dos piores desempenhos entre as grandes empresas de tecnologia. Especialistas apontam que a Meta cometeu um erro estratégico ao iniciar sua jornada em IA com a família de modelos Llama, que adotou uma abordagem de código aberto, enquanto seus concorrentes cobravam pelo acesso.
Após o lançamento sem sucesso do Llama 4, Zuckerberg anunciou um investimento de US$ 14,3 bilhões na Scale AI, trazendo Wang e sua equipe. O modelo Muse Spark foi projetado para se integrar facilmente aos aplicativos da Meta, como Facebook e Instagram, além de dispositivos como os óculos Meta Ray-Ban.
A questão dos desenvolvedores
Apesar das promessas, a Meta enfrenta desafios com desenvolvedores, especialmente após o fiasco do Llama. Rob May, CEO da Neurometric, afirma que a comunidade de IA ignora a Meta neste momento. A falta de confiança dos desenvolvedores pode ser um obstáculo, já que muitos estão mais empolgados com os modelos da Google.
Andrew Moore, ex-chefe de IA do Google Cloud, acredita que ainda há espaço para a Meta encontrar seu caminho, especialmente se conseguir desenvolver modelos proprietários mais eficientes. No entanto, Krish Subramanian, da KOI AI, adverte que a Meta deve focar em desenvolvedores de terceiros para evitar se tornar um jogador secundário no mercado.
Pressão sobre Zuckerberg
Um porta-voz da Meta mencionou que a empresa continua a apoiar o ecossistema de código aberto e planeja oferecer acesso à tecnologia Muse Spark via API. Contudo, a moral dentro da empresa está baixa, com cortes de empregos que geraram preocupações sobre o desenvolvimento de IA.
Wang descreveu o Muse Spark como um “aperitivo” para o que está por vir, prometendo modelos mais poderosos. No entanto, a comunidade de IA espera um fluxo constante de atualizações e novos recursos, algo que a Meta ainda não conseguiu oferecer. A pressão sobre Zuckerberg aumenta, especialmente considerando as perdas significativas da empresa em suas iniciativas de metaverso e realidade virtual.




