Ciclo de alta da inadimplência no Brasil deve persistir, aponta relatório do Citi

Um relatório do Citi destaca que a inadimplência no Brasil está em ascensão e a tendência de deterioração ainda não chegou ao fim. O analista Gustavo Schroden observou que, apesar de um aumento no crédito em relação ao PIB, que passou de 46% em 2019 para 56% em 2023, as condições financeiras das famílias não melhoraram. O M2, que mede a quantidade de dinheiro disponível na economia, também cresceu, subindo de 40% do PIB em 2019 para 58% este ano.

O banco aponta que, mesmo com a disponibilidade de recursos e fatores macroeconômicos favoráveis, como a expansão de benefícios sociais e um mercado de trabalho relativamente estável, as famílias estão utilizando grande parte de sua renda adicional para sustentar o consumo e quitar dívidas existentes, em vez de reorganizar suas finanças. Essa pressão sobre o orçamento familiar deve aumentar antes de começar a melhorar.

A deterioração da inadimplência é generalizada, afetando empréstimos pessoais, cartões de crédito rotativos e parcelados, financiamentos de veículos e crédito consignado privado. A única exceção é o crédito consignado do INSS, que é garantido pelo desconto das parcelas diretamente dos benefícios.

O Citi alerta que, historicamente, quando a inadimplência se espalha por diversas modalidades, a reversão tende a ser mais difícil e prolongada. Com as famílias já beneficiadas por transferências fiscais elevadas e liquidez abundante, poucos fatores podem compensar uma nova deterioração nas contas.

Embora os empréstimos continuem a crescer, os indicadores de desempenho estão se deteriorando, o que é visto como um sinal clássico de queda na qualidade dos novos tomadores. Schroden observa que os bancos ainda não reagiram completamente a essa situação, e a inadimplência tende a aumentar mesmo após o endurecimento dos critérios de concessão de crédito.

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