O governo dos Estados Unidos deu aprovação a uma startup para testar um satélite que utilizará um espelho de 18,3 metros com o objetivo de refletir a luz solar de volta à Terra após o anoitecer. Este projeto, segundo a empresa, visa alimentar fazendas solares, fornecer iluminação para equipes de resgate e iluminar as ruas das cidades.
A licença foi emitida na quinta-feira pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), permitindo que a Reflect Orbital, localizada em Hawthorne, Califórnia, lance seu satélite Eärendil-1 na órbita baixa da Terra. A empresa planeja implantar o satélite de teste ainda este ano e tem a intenção de enviar até 50.000 grandes espelhos para o espaço no futuro.
A aprovação do projeto gerou uma forte oposição entre astrônomos, especialistas em vida selvagem e outros críticos, que argumentam que a luz refletida pelos espelhos pode distrair pilotos de avião, prejudicar observações astronômicas e interferir nos ritmos circadianos, que são os ciclos de luz e escuridão que ajudam organismos a regular seus padrões de sono e atividade.
Samantha Lawler, astrônoma da Universidade de Regina, no Canadá, expressou preocupação: “É aterrorizante para mim que um país possa mudar o céu noturno para todos no mundo. Preciso de acesso a céus escuros para fazer minha pesquisa. Se você tem espelhos gigantes brilhando lá de cima, então perdemos isso.”
Além disso, em uma carta enviada à FCC no mês passado, a Sociedade Astronômica Americana afirmou que o projeto “não pode ser considerado de interesse público” e que, na verdade, representa um desperdício de recursos públicos ao comprometer o trabalho de instalações astronômicas financiadas pelo governo, além de trazer riscos potenciais para a população e a vida selvagem.




