José Antonio Kast, presidente do Chile, enfrentou uma crise significativa logo após assumir o cargo em 11 de março, com sua administração sendo impactada pela guerra no Irã, que resultou em um aumento acentuado nos preços dos combustíveis. Embora tenha iniciado seu governo com uma aprovação de cerca de 20 pontos, até o final de março, sua popularidade já havia caído, com os chilenos responsabilizando-o pela alta dos preços, que atingiu quase 40% entre março e abril.
Kast, que havia sido eleito com uma plataforma de lei e ordem e promessas de revitalização econômica, viu sua trajetória política ameaçada por uma crise externa. O conflito no Irã, que começou no final de fevereiro, afetou gravemente a economia chilena, que depende fortemente de importações de petróleo e gás. A falta de produção interna tornou o país vulnerável às flutuações do mercado global de energia, levando o governo a gastar cerca de 150 milhões de dólares por semana em subsídios para compensar os aumentos de preços.
Com a necessidade de reduzir o déficit nacional, Kast tomou a difícil decisão de abandonar a estabilização dos preços e repassar os custos aos consumidores. Essa medida, embora necessária, foi impopular e causou um impacto significativo no bolso do cidadão comum, afetando não apenas motoristas, mas também o preço de bens e serviços em todo o país, já que a maioria dos produtos precisa ser transportada por estrada.
Além disso, a economia chilena, já fragilizada, viu o desemprego aumentar para 9,4% no período de março a maio de 2026, e o Banco Central do Chile revisou suas projeções de crescimento econômico para baixo, de 2-3% para 1-1,75%. A situação econômica continua a ser um desafio para a administração de Kast, que desde então manteve índices de aprovação negativos, sem sinais de recuperação à vista.
Em resposta à crise, Kast apresentou um pacote de reformas econômicas ambicioso, que inclui a reestruturação do sistema tributário e cortes orçamentários em vários ministérios, na tentativa de reduzir o déficit. No entanto, a eficácia dessas medidas levará tempo para se manifestar e provavelmente não trará alívio imediato para sua administração.
A situação é ainda mais complicada pela relação do Chile com os Estados Unidos e a China. Embora Kast e seus aliados sejam favoráveis a uma maior colaboração com os EUA para reduzir a dependência da China, a crise econômica atual dificulta essa transição. As ações do governo Trump no Irã estão, ironicamente, dificultando os esforços dos EUA em apoiar um governo amigo na região, enquanto a economia chilena enfrenta desafios sem precedentes.




