Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, emergiu como uma figura central no cenário internacional, especialmente após as recentes guerras e a postura do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O país, que enfrentou isolamento e crises internas, agora é um fornecedor crucial de armamentos para a Rússia na guerra da Ucrânia, estabelecendo laços mais estreitos com potências como China e Rússia.
Tradicionalmente visto como um ditador isolado, Kim Jong-un tem exercido um controle absoluto sobre a vida de 26 milhões de norte-coreanos, enquanto o país enfrenta sérios problemas econômicos, exacerbados pela pandemia e mudanças climáticas. No entanto, a dinâmica geopolítica mudou após a ascensão de Trump, que recentemente reduziu o tempo de exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, um movimento que foi interpretado como um aceno favorável a Kim.
Trump argumentou que os exercícios militares eram caros e hostis, sugerindo que a redução poderia facilitar um diálogo mais pacífico. Essa mudança de postura abre oportunidades para Kim, que agora se vê em uma posição de influência, recebendo visitas de líderes como Vladimir Putin e Xi Jinping, enquanto a Coreia do Norte se torna um aliado militar da Rússia, fornecendo munição e tropas para o conflito na Ucrânia.
A Ucrânia estima que metade da munição utilizada por suas tropas venha de fábricas norte-coreanas, além de mísseis balísticos e lançadores de foguetes. Kim Jong-un também está enviando soldados para apoiar as operações russas, recebendo compensações financeiras significativas por isso. Em resposta, a Coreia do Norte está promovendo o turismo russo, oferecendo resorts e estações de esqui com descontos para soldados.
A ascensão da Coreia do Norte como fornecedora militar da Rússia elevou Kim a um nível de influência sem precedentes em seus quinze anos de governo. A relação com a China, que tradicionalmente apoiou a Coreia do Norte, foi reforçada com novas parcerias em tecnologia e agricultura, enquanto Kim utiliza sua posição para negociar entre as duas potências. A interação entre Trump e Kim, marcada por encontros anteriores, sugere que um novo diálogo pode estar no horizonte, apesar das tensões persistentes.
Publicado em VEJA de 28 de agosto de 2026, edição nº 3010




