O recente terremoto que atingiu a Venezuela trouxe à tona uma nova crise de deslocados internos, agravando a já crítica situação de migração forçada que o país enfrenta há mais de uma década. Aproximadamente 1.730 pessoas, representando cerca de 300 famílias, agora habitam um antigo estádio na cidade de La Guaira, vivendo em condições precárias após perderem suas casas ou sofrerem danos significativos.
As condições de vida no abrigo são desafiadoras, com o calor intenso e a escassez de água potável. Garrafas de água, muitas vezes quentes, são distribuídas por agentes policiais, enquanto remédios doados são organizados para atender especialmente idosos, pessoas com deficiência e crianças. Wilmarys González, uma das deslocadas, relatou a perda de quatro familiares durante a tragédia e descreveu a luta para resgatar os corpos de seus entes queridos em meio aos escombros.
González, que já havia vivenciado o desastre de La Guaira em 1999, expressou a dor de ter que reconstruir sua vida novamente. Os deslocados internos aguardam ansiosamente uma avaliação técnica do Estado para saber se poderão retornar a suas casas, mas não há previsão para que isso aconteça. Eduardo Sanchez, um aposentado de 70 anos, também compartilhou sua incerteza sobre o futuro, relatando que ele e sua esposa foram forçados a deixar sua casa devido ao medo de novos tremores.
A preocupação com as réplicas dos terremotos é constante entre os deslocados, afetando sua saúde mental. Muitos recebem refeições e apoio de voluntários, incluindo a ONG World Central Kitchen, que fornece alimentos quentes e ajuda a economia local ao contratar cozinheiros. No entanto, muitos outros permanecem nas ruas, acampando em frente aos edifícios destruídos, esperando por notícias sobre seus parentes desaparecidos.
Estima-se que mais de 15 mil pessoas estejam desalojadas em todo o país, com números provavelmente subnotificados. A situação é ainda mais complexa, pois a Venezuela já enfrenta um êxodo massivo de cidadãos, resultado de um colapso econômico e perseguições políticas. Atualmente, mais de 8 milhões de venezuelanos vivem fora do país, principalmente na Colômbia, Peru e Brasil, e muitos estão retornando para ajudar seus familiares na reconstrução de suas vidas.
Agora, a Venezuela não só enfrenta o drama da migração forçada, mas também uma nova onda de migração interna, levantando questões sobre a rapidez com que os deslocados poderão ser realocados e o tipo de apoio que receberão para recomeçar suas vidas.




