O governo federal anunciou novas medidas para mitigar o impacto da recente alta de 6,08% nas passagens aéreas, conforme indicado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A principal ação envolve a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, o que deve resultar em uma economia de R$ 0,07 por litro. Entretanto, especialistas alertam que essa desoneração pode não refletir imediatamente em passagens mais baratas devido à autonomia das empresas na definição de preços.
Dados do IBGE confirmaram que as passagens aéreas têm contribuído significativamente para a inflação no país, especialmente após um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação. O pacote emergencial do governo visa reduzir os efeitos desse reajuste, mas a desoneração tributária e a queda no valor do barril de petróleo podem não se traduzir em preços mais baixos para os consumidores.
Marcos Melo, mestre em finanças e professor do Ibmec Brasília, destacou que, apesar do combustível ser um componente importante nos custos das companhias aéreas, existem muitos outros fatores que influenciam o preço final das passagens. Ele enfatizou que a decisão de repassar a economia gerada pela isenção tributária ao consumidor cabe às empresas, que têm liberdade tarifária para definir seus preços.
Tatiana Navarro, procuradora de assuntos tributários da OAB-DF, também reforçou que as companhias não são obrigadas a repassar o alívio fiscal, podendo decidir se vão ou não reduzir os preços das passagens, o que impacta diretamente sua margem de lucro.
Movimentação do governo
Além da isenção tributária, o Ministério de Portos e Aeroportos, em parceria com a Fazenda, anunciou outras medidas, incluindo:
- Crédito: O BNDES disponibilizará até R$ 2,5 bilhões por empresa através do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil) para a compra de querosene, além de R$ 1 bilhão para capital de giro.
- Flexibilidade: As transportadoras poderão adiar o pagamento de tarifas de navegação aérea de abril a junho para o final de dezembro de 2026.
- Escalonamento: A estatal permitirá que as distribuidoras parcelem os reajustes, suavizando as oscilações bruscas nos preços nos aeroportos.
A iniciativa surge em resposta às pressões das companhias aéreas, que alertaram sobre as possíveis consequências do aumento nos preços do combustível, afirmando que isso poderia afetar a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, além de restringir a conectividade no país.
Preço do petróleo
A recente alta do preço do querosene de aviação ocorre em um contexto de instabilidade global, exacerbada por conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Embora o preço do petróleo tenha caído abaixo de US$ 100 após um cessar-fogo, o cenário permanece incerto, com análises indicando que a volatilidade pode continuar.
Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, observou que o mercado de petróleo está passando por um momento de alívio, mas a cautela ainda é necessária. Ele prevê uma volatilidade descendente, mas não uma queda imediata nos preços, ressaltando que qualquer novo conflito geopolítico pode rapidamente reverter essa tendência.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp.




