Eugênio Aragão deixa defesa de Paulo Henrique Costa, que negocia delação no caso do Banco Master

O advogado Eugênio Aragão anunciou sua saída da defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), nesta terça-feira (19). Costa está em negociação para uma delação premiada relacionada ao caso do Banco Master. Aragão, que foi contratado há menos de um mês, expressou divergências em relação ao conteúdo da colaboração que estava sendo discutida com a Justiça, afirmando que não existem “provas consistentes e inequívocas” para as informações que Costa pretende apresentar à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em um comunicado à imprensa, Aragão, que possui quase 30 anos de experiência no Ministério Público Federal, enfatizou sua postura de atuar com seriedade e responsabilidade. Ele destacou que qualquer colaboração premiada só seria considerada se houvesse provas sólidas, respeitando a legalidade e a reputação dos envolvidos.

A entrada de Aragão e Davi Tangerino na defesa de Costa foi vista como um movimento decisivo em direção a um acordo de delação, seguindo os passos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, Aragão, é reconhecido por seu trânsito no meio jurídico em Brasília. Não há informações sobre se a família de Costa está buscando novos advogados para sua defesa.

O advogado anterior de Costa, Cléber Lopes, também representava o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que pode ser um alvo da colaboração do ex-dirigente do BRB. Isso levanta preocupações sobre possíveis conflitos de interesse, dado que ambos estão envolvidos no escândalo das carteiras fraudulentas que o Banco Master vendeu ao BRB.

Após a saída de Aragão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, atendeu a um pedido da defesa e transferiu Costa para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. Essa mudança foi vista como um passo em direção a uma delação, uma vez que Costa estava anteriormente preso na Penitenciária da Papuda, que é administrada pelo governo do DF.

Os advogados de Costa expressaram preocupações sobre a transferência, argumentando que ele não poderia discutir questões legais de maneira eficaz na Papuda, onde poderia haver escutas ambientais. A Papudinha, por outro lado, é destinada a policiais e autoridades, e Costa, como oficial da reserva das Forças Armadas, foi transferido para lá, ocupando a mesma cela que Jair Bolsonaro utilizou.

Costa é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em relação a propinas recebidas do Banco Master, que totalizam R$ 146 milhões, segundo a Polícia Federal. As investigações revelaram que seis imóveis foram recebidos como propina, e R$ 74,6 milhões teriam sido pagos efetivamente. O ex-presidente do BRB é acusado de agir como um “verdadeiro mandatário” de Vorcaro, recebendo imóveis em troca de aprovações de compras fraudulentas.

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