Melisa Gaona, uma colombiana de 26 anos, viveu uma jornada dolorosa devido à endometriose, uma condição crônica que afeta milhões de mulheres. Após anos de sofrimento intenso e tratamentos sem alívio, ela decidiu solicitar eutanásia em 2025, um pedido que foi negado por uma junta médica em Bogotá, levando-a a recorrer à Justiça.
Desde a infância, Melisa convive com endometriose em seu estágio mais grave, que comprometeu sua qualidade de vida. Ela descreve a dor como insuportável, afetando atividades diárias como comer, andar e até mesmo ir ao banheiro. Em 2025, após uma internação, Melisa formalizou seu pedido de eutanásia, expressando que já não se sentia digna de viver devido ao sofrimento constante.
O pedido foi negado sob a justificativa de que ainda havia tratamentos disponíveis, incluindo uma possível cirurgia. Essa decisão reflete a legislação colombiana, que exige que o sofrimento seja considerado irreversível antes da aprovação da eutanásia. Em resposta, Melisa buscou apoio jurídico da organização DescLAB, que luta pelos direitos à morte digna, e levou seu caso à Justiça.
O debate em torno da eutanásia é complexo, especialmente em casos de dor crônica não terminal. Especialistas afirmam que a dor crônica muitas vezes não é reconhecida adequadamente, resultando em um sentimento de abandono por parte dos pacientes. Melisa, ao compartilhar sua história, busca aumentar a conscientização sobre a endometriose e os desafios enfrentados por mulheres que sofrem com essa condição.
A endometriose não é uma doença rara, afetando cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. O caminho até o diagnóstico pode ser longo e frustrante, com muitos pacientes enfrentando descrença e minimização de seus sintomas por profissionais de saúde. Melisa, por exemplo, enfrentou anos de diagnósticos errôneos antes de receber a confirmação da doença.
Recentemente, após uma cirurgia que retirou focos de endometriose, Melisa viu uma melhora em seu quadro, mas a dor persiste. Ela continua a lutar por novos tratamentos e não descarta a eutanásia caso seu sofrimento se torne insuportável novamente. Sua história destaca a necessidade de um sistema de saúde que reconheça e trate adequadamente a dor crônica, evitando que pacientes cheguem ao ponto de solicitar a morte como solução.
Por fim, Melisa fundou a FECCUM — Fundación de Endometriosis Colombia y Cuidado de la Mujer — com o objetivo de ajudar outras mulheres a obter diagnósticos mais rápidos e cuidados adequados, um testemunho de sua resiliência e desejo de transformar sua dor em empatia e apoio para outras pessoas.




