Santander Brasil registra lucro líquido de R$ 3 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao ano anterior

No segundo trimestre de 2026, o Santander Brasil reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões, representando uma queda de 17,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este resultado, impactado pela inadimplência, ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro de R$ 3,723 bilhões.

As ações do banco caíram 5,78%, sendo negociadas a R$ 26,07. Este é o primeiro resultado apresentado sob a nova presidência de Gilson Finkelsztain, que assumiu o cargo em 1º de julho, após comandar a B3, a Bolsa de Valores brasileira. Finkelsztain não participou das operações do banco no segundo trimestre e, por isso, não esteve presente na conferência com analistas de mercado.

Antes de sua passagem pela B3, o novo presidente acumulou experiência em diversas instituições financeiras, incluindo J.P. Morgan, Citibank e Bank of America Merrill Lynch, além de ter atuado no Santander entre 2011 e 2013. Carlos Ignacio Muñiz Gonzalez Blanch, diretor de relações com investidores do banco, indicou que uma melhora nos resultados não deve ser esperada antes de 2027, devido ao atual cenário de juros elevados.

O programa Desenrola, que visa a recuperação de crédito, teve um impacto limitado, com baixa adesão entre os clientes inadimplentes. O índice de inadimplência no banco subiu para 3,3%, em comparação a 2,6% no ano anterior. Entre as pessoas físicas, a inadimplência com mais de 90 dias aumentou para 5,1%, enquanto nas pessoas jurídicas, o índice foi de 1,6%. Para pequenas e médias empresas, a inadimplência subiu para 5,3%, e em grandes empresas, o índice ficou em 0,2%.

O resultado do Santander foi influenciado principalmente pelos segmentos de baixa renda e agronegócio, em um ambiente econômico desafiador e com altos níveis de endividamento. O índice de atrasos no Brasil, conforme dados do Banco Central de maio, atingiu 4,74%, o maior desde 2011.

Com o aumento da inadimplência, a provisão para devedores duvidosos (PDD) cresceu 11,5% no ano, totalizando R$ 7,654 bilhões. O relatório do banco aponta que a dinâmica atual reflete um contexto de crédito desafiador, afetando carteiras específicas, incluindo empresas e agronegócio.

O banco também reportou uma diminuição nos empréstimos para pessoas físicas, enquanto aumentou o financiamento para pessoas jurídicas. A carteira de crédito totalizou R$ 714,77 bilhões, com um avanço de 5,8% no ano e de 1,3% no trimestre.

A margem financeira do Santander foi de R$ 15,34 bilhões no segundo trimestre, apresentando uma queda de 3% em relação ao trimestre anterior e de 0,4% na comparação anual, atribuída a um menor spread em função da redução de empréstimos a clientes considerados mais arriscados. A rentabilidade, medida pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), ficou em 12,5%, uma queda de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2026.

RAIO-X SANTANDER BRASIL | 2º TRI DE 2026

Lucro líquido: R$ 3 bilhões
ROAE: 12,5%
Funcionários: 47.327
Agências: 858
Clientes: 76,2 milhões
Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank

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