Minas Gerais está se mostrando um desafio significativo para o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo aliados do centrão ouvidos pela Folha. O estado, considerado crucial para a eleição nacional, não apresenta cenários ideais para garantir a vitória do senador.
No momento, Flávio não possui um palanque assegurado em Minas. O apoio ao governador Matheus Simões (PSD) é visto com cautela, uma vez que a popularidade do atual chefe do Executivo estadual não é alta nas pesquisas. O senador Cleitinho (Republicanos), que é o favorito até agora, é considerado inconsistente por uma parte do PL, e a possibilidade de uma candidatura própria é vista como uma aposta arriscada.
Flávio está tentando convencer o ex-governador Romeu Zema (Novo) a ser seu vice. Se conseguir, poderá apoiar Simões na tentativa de reeleição.
Um fator que gera preocupação em relação a uma aliança com Simões é a recente filiação do senador Carlos Viana ao PSD. Com isso, o atual governador terá que escolher entre o pré-candidato do PL ao Senado, deputado Domingos Sávio, e Marcelo Aro (PP), ex-articulador político de Zema, para a segunda vaga.
No PL, a chegada de Viana é vista como uma complicação para a eleição ao Senado, dado que ele já possui uma vantagem presumida por concorrer à reeleição. Assim, Simões não poderá apoiar simultaneamente Sávio e Aro.
A opção mais viável, atualmente, parece ser o apoio à candidatura de Cleitinho, que se apresenta como uma alternativa da direita bolsonarista. No entanto, aliados de Flávio, como o deputado Nikolas Ferreira (PL), desestimulam a aliança com Cleitinho, alegando que ele não está realmente alinhado com as pautas bolsonaristas e que, se eleito, poderia se tornar um concorrente na própria direita. O PL considerou a possibilidade de filiar Cleitinho para lançá-lo ao governo, mas a resistência de Nikolas e outras lideranças da sigla impediu essa ação.
Interlocutores do partido expressam preocupações com a natureza imprevisível do senador do Republicanos, que já se aproximou e se distanciou do bolsonarismo em diferentes momentos. Em outubro do ano passado, Cleitinho entrou em conflito com o PL ao afirmar que sua dívida com Jair Bolsonaro estaria “paga”, embora tenha reafirmado seu respeito pelo ex-presidente. Após a repercussão negativa, ele pediu desculpas.
Cleitinho declarou: “Se eu achar que não tenho os mesmos pensamentos que esse candidato que o Bolsonaro apoiar, eu não preciso apoiar, não. Tenho gratidão com o Bolsonaro. Não é com a família dele, com os apoiadores, não. É com ele. Uma gratidão que eu também já paguei e pago apoiando e votando nele em 2022.”
Outro ponto levantado no PL é que um eventual fracasso de Cleitinho em um governo em Minas Gerais poderia dificultar a atuação do partido no estado. Uma ala da legenda acredita que Minas, com uma dívida de R$ 187 bilhões com o governo federal, é uma “bomba-relógio” que pode explodir no bolsonarismo caso Flávio apoie um candidato sem experiência em gestão.
Mesmo sem o apoio de Flávio, Cleitinho é visto como um candidato competitivo. O receio no PL é que ele possa atrapalhar o avanço de Simões entre os eleitores de direita, dividindo votos e facilitando o crescimento do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que deve concorrer ao governo com o apoio do presidente Lula (PT).
Diante desse cenário de incertezas, membros do PL sugerem que a alternativa mais provável é lançar uma candidatura própria ao governo. O nome cogitado para concorrer ao Palácio Tiradentes é o do ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, que se filiou em março.
A segunda vaga do PL ao Senado está reservada para uma composição, podendo ser ocupada por um nome indicado por Cleitinho ou Simões, caso Flávio decida apoiar um deles. Cleitinho já deu indícios de que pretende concorrer e está tentando atrair Marcelo Aro para sua chapa.




