Na tarde de quinta-feira, 17 de outubro, o Executivo de Flores da Cunha protocolou um novo Projeto de Lei, que visa a denominação do primeiro teatro municipal. A proposta mantém o nome Teatro Terra do Sol e sugere que o palco do espaço seja chamado Palco Maria Della Costa, em homenagem à atriz e empreendedora cultural florense.
O Projeto de Lei 40/2026 foi protocolado 13 dias após a retirada do Projeto de Lei 39/2026, de autoria do vereador Deivid Schenato (PP). Além de incluir o nome de Maria Della Costa, o novo texto corrige a denominação anterior, que utilizava a expressão “Teatro da Terra do Sol”.
A nova redação gerou repercussão nas redes sociais. Na última segunda-feira, 14 de outubro, a sobrinha de Maria Della Costa, Débora Marchioro, compareceu à sessão ordinária da Câmara de Vereadores para defender a escolha do nome de sua tia. Ela destacou que desde 2021 já existiam discussões sobre a possibilidade de o futuro espaço receber a homenagem, com a participação de Natalina Flavia Francisconi, que foi subsecretária de Cultura no início da gestão do prefeito César Ulian.
Aproximar duas histórias
A justificativa do projeto busca conectar duas histórias significativas para a cultura de Flores da Cunha, com o objetivo de valorizar a memória e a identidade do município. De um lado, a literatura e o imaginário de Flávio Luis Ferrarini, que estão presentes na expressão “Terra do Sol”; do outro, a trajetória de Maria Della Costa, que obteve reconhecimento nacional por sua atuação nas artes cênicas.
O nome do teatro faz referência ao romance O Menino da Terra do Sol, uma obra autobiográfica em que Ferrarini recria memórias de sua infância e juventude na Serra Gaúcha. O romance foi adaptado para um curta-metragem homônimo, dirigido por Michel Marchetti, que retrata a vida no interior nas décadas de 1960 e 1970, contando a história de um menino que aspira se tornar escritor.
A justificativa, assinada pelo prefeito César Ulian, também menciona que o Instituto Flávio Luis Ferrarini é o responsável pelo projeto de captação de recursos para a construção do teatro, utilizando a Lei de Incentivo à Cultura.
Duplicidade com teatro de São Paulo
Em relação à denominação “Palco Maria Della Costa”, o documento ressalta a importância da atriz e produtora nas décadas de 1940 e 1950, fazendo referência ao Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, que foi fundado pela artista e pelo produtor Sandro Polloni. A justificativa aponta que o nome do teatro paulista ainda está associado ao espaço, apresentando essa duplicidade como um dos argumentos para não escolher o nome da atriz para o teatro municipal. A preocupação é que isso poderia complicar questões de registro de marca, identidade, redes sociais e marketing.
Entretanto, a família da atriz e os defensores da homenagem não veem a duplicidade como um obstáculo. Eles argumentam que o teatro paulista foi criado por Maria Della Costa e Sandro Polloni, o que reforça a relevância da artista na história da dramaturgia nacional.
Débora Marchioro, sobrinha da atriz, acredita que a denominação do teatro seria mais coerente se estivesse diretamente ligada a uma mulher que teve um papel fundamental na criação de oportunidades para profissionais das artes cênicas. Ela enfatizou que Maria Della Costa foi uma empreendedora que, em 1954, fundou uma companhia de teatro, abrindo portas para muitos na área.
A justificativa do novo projeto defende que a denominação do palco estabelece uma relação direta entre a artista e o espaço onde a dramaturgia ganha vida, permitindo que artistas se apresentem e diversas histórias alcancem o público.
Investimento de R$ 3,4 milhões
O Projeto de Lei 40/2026 ainda aguarda análise e votação pela Câmara de Vereadores, sem data definida para a votação. A inauguração do novo teatro também não tem uma data estipulada, e a construção requer um investimento total de R$ 3,4 milhões.
O aporte inicial já ultrapassou R$ 2,8 milhões, sendo R$ 1.993.749,20 provenientes da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e R$ 878.764,26 repassados pela Prefeitura. Em agosto, a Câmara aprovou um repasse adicional de R$ 596,7 mil para serviços como forro e revestimentos acústicos, iluminação arquitetural, além de complementações nos sistemas de climatização e instalações elétricas.
Apesar da conclusão dessa etapa da obra, o teatro ainda necessitará de novos investimentos. A previsão é que, em 2027, uma nova proposta seja apresentada ao Procultura RS para viabilizar a aquisição definitiva dos equipamentos de som e iluminação. Até lá, parte desses equipamentos deverá ser utilizada de forma provisória para permitir o início das atividades.




