Recentemente, uma série de produções começou a explorar as nuances da escolha profissional de criar e publicar conteúdo pornográfico para assinantes. A terceira temporada da série Industry, da HBO, introduziu a personagem Sweetpea Golightly, que busca uma renda extra em plataformas como o OnlyFans. A nova temporada de Euphoria também abordou a temática, com a personagem Cassie criando uma conta para financiar seu casamento luxuoso. Além disso, a comédia Margô Está em Apuros, da Apple TV+, apresenta uma jovem que se volta para o OnlyFans após enfrentar dificuldades financeiras.
A diretora de Margô Está em Apuros, Kate Herron, descreve a abordagem da série como “útil”, mostrando uma protagonista que deixa a faculdade para sustentar seu filho. Herron destaca que o público irá entender não apenas a decisão de criar conteúdo, mas também as motivações por trás dela. As produções tentam abordar as complexidades dessa profissão, refletindo sobre o que leva as personagens femininas a essa escolha.
O OnlyFans, fundado em 2016, inicialmente conectava músicos e influenciadores com o público, mas em 2017 retirou a proibição de conteúdo pornográfico, o que impulsionou seu crescimento. Durante a pandemia, a plataforma registrou um aumento de 75% no número de novos criadores cadastrados, atraindo tanto produtores de conteúdo adulto quanto criadores de outras áreas.
Por que tantas pessoas estão entrando nesse mercado
As histórias apresentadas nas séries mostram que os motivos para criar uma conta no OnlyFans são variados. Em Margô Está em Apuros, a protagonista recorre à plataforma após perder o emprego e enfrentar a ausência do pai de seu bebê. A personagem, que usa o pseudônimo “The Hungry Ghost”, começa a ganhar dinheiro com avaliações e vídeos criativos. A série explora a luta por sobrevivência e a criatividade envolvida nesse trabalho.
Rebecca Goodwin, uma criadora de conteúdo, relata que o OnlyFans lhe proporcionou flexibilidade para equilibrar trabalho e a rotina escolar de suas filhas. Ela destaca que muitas mulheres são atraídas pela possibilidade de trabalhar de casa e manter o que ganham, descontada a taxa da plataforma.
Enquanto a história de Margô reflete as dificuldades financeiras de mães solteiras, a trajetória de Cassie em Euphoria é mais ligada à busca por fama e dinheiro, gerando críticas sobre a representação da personagem.
A realidade de uma carreira no OnlyFans
Goodwin observa que, apesar de seu sucesso, a realidade da maioria dos criadores é longe do que se imagina. A renda média gira em torno de US$ 108 por mês, com muitos usando a plataforma para complementar a renda ou por necessidade financeira. Além disso, os criadores enfrentam preconceitos sociais, refletidos nas críticas e estigmas associados ao trabalho no setor.
Na série Industry, a personagem Sweetpea é alvo de piadas, e Goodwin, que usa seu nome verdadeiro, reconhece que alguns criadores que optam por pseudônimos enfrentam problemas de identidade. A série Margô Está em Apuros também retrata essa questão.
O lado sombrio da indústria
Embora o OnlyFans adote medidas de segurança, há relatos de exploração de mulheres na plataforma. O documentário Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera aborda a questão, com críticos apontando a possibilidade de manipulação e exploração no gerenciamento de criadores de conteúdo.
Angela Smith, pesquisadora, destaca que a indústria do tráfico sexual se expandiu para plataformas digitais, afetando especialmente mulheres jovens do Leste Europeu. O OnlyFans afirma ter uma política de tolerância zero para atividades ilegais e adota medidas rigorosas de verificação e moderação de conteúdo.
Embora algumas produções abordem a realidade dos criadores de conteúdo, muitas ainda não exploraram o lado sombrio da indústria do sexo online. Margô Está em Apuros, apesar de seu tom leve, reflete experiências reais, com a roteirista buscando autenticidade ao entrevistar criadoras de conteúdo.
Com a crescente presença do OnlyFans na cultura popular, espera-se que as representações mais complexas ajudem a normalizar o trabalho dos criadores, embora a sexualização das mulheres continue a ser uma questão debatida.




