A modelo brasileira Gisele Bündchen, de 45 anos, anunciou que deixou de seguir a dieta vegana após um longo período. Em seu livro intitulado “Nutrir: receitas simples para corpo e alma”, ela explica que adotou o veganismo por sua conexão com os animais e por um desejo de consumo mais consciente. Contudo, Gisele também compartilha os desafios que enfrentou, incluindo a necessidade de suplementar ferro e aumentar o consumo de oleaginosas e folhas verde-escuras, o que não foi suficiente para evitar a anemia.
Atualmente, Gisele opta por uma dieta composta por aproximadamente 80% de alimentos vegetais e 20% de origem animal, o que, segundo ela, tem ajudado a atender suas necessidades nutricionais de maneira equilibrada.
Mas, afinal, a dieta vegana prejudica a saúde?
O médico nutrólogo Renan Moreira Silva, coordenador da pós-graduação em nutrologia da Afya Educação Médica São Paulo, esclarece que a dieta vegana pode atender às necessidades de ferro, desde que haja um planejamento adequado e monitoramento clínico regular. Ele destaca que as principais sociedades científicas, como a Academy of Nutrition and Dietetics, reconhecem que dietas veganas são adequadas em todas as fases da vida, desde que bem estruturadas e acompanhadas.
Entretanto, Renan enfatiza que a suplementação deve ser realizada com cautela: “Ela não deve ser feita por conta própria. Deve ser indicada após avaliação laboratorial, já que o excesso de ferro também pode ser prejudicial, ocasionando estresse oxidativo.”
O médico sugere algumas estratégias para aumentar a absorção de ferro na alimentação:
- Associar com vitamina C (laranja, acerola, limão);
- Evitar chá/café próximo das refeições;
- Técnicas como remoção de fitatos (deixar o alimento de molho);
“O grande ponto não é ‘ser vegano’, mas como ser vegano. Uma dieta vegana segura não é intuitiva, ela é estruturada, monitorada e personalizada. Precisa-se educar sobre fontes de nutrientes alternativas”, conclui Renan.
Ele também ressalta que a dieta vegana não está necessariamente ligada à anemia, contanto que haja acompanhamento médico e nutricional adequado para individualizar o plano alimentar.
Não basta suplementar com feijão
A importância do acompanhamento médico em uma dieta completa é fundamental. O especialista em fisiologia metabólica e hormonal, Alexandre Duarte, afirma que é preciso desmistificar um conceito comum na cultura brasileira: feijão não é uma boa fonte de ferro.
Embora o feijão contenha ferro em termos absolutos, trata-se de ferro não-heme, que possui baixa biodisponibilidade, além de ser acompanhado de antinutrientes — fitatos, lectinas, oligossacarídeos — que dificultam ainda mais a absorção e podem causar desconforto digestivo.
“Remolho prolongado, descarte da água e cocção adequada ajudam a reduzir antinutrientes, mas não transformam o feijão em uma alternativa viável para tratar anemia. É complemento, nunca solução”, finaliza Alexandre.




