Gato-do-mato-pequeno é flagrado em Porto Alegre e gera repercussão nas redes sociais

Recentemente, imagens do menor felino selvagem do Brasil, o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), ganharam destaque nas redes sociais após serem capturadas por câmeras escondidas na zona sul de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os registros, feitos no dia 5 de janeiro na Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger, foram divulgados no dia 19 pelo projeto Felinos do Pampa.

Alan da Costa, geógrafo e pesquisador que conduziu um trabalho de mestrado em Biologia Animal sobre a espécie, destacou que o avistamento do gato-do-mato-pequeno em áreas urbanas é uma ocorrência rara. Ele mencionou: “Quando falamos de gatos do mato no meio urbano é sempre muito raro.”

O gato-do-mato-pequeno é encontrado principalmente na Mata Atlântica, abrangendo o centro-sul do Brasil, leste do Paraguai e nordeste da Argentina. A espécie apresenta baixas densidades populacionais, variando de 1 a 5 indivíduos por 100 km².

Esse felino é um predador ágil, alimentando-se principalmente de pequenos mamíferos, aves e répteis. Com um peso médio de 2,38 kg, sua pelagem é amarelada, com tons avermelhados ou amarronzados, e apresenta manchas escuras que funcionam como camuflagem. O melanismo, ou pelagem totalmente preta, é comum entre esses animais. Estudos indicam que gatos-do-mato pintados são mais ativos em noites escuras, enquanto os melânicos preferem caçar em noites de lua cheia, aproveitando a vantagem que o pelo escuro proporciona sob a luz do luar.

A atividade do gato-do-mato-pequeno é predominantemente noturna e crepuscular, mas também ocorre durante o dia, sugerindo uma adaptação ao comportamento para evitar predadores maiores, como a jaguatirica (Leopardus pardalis).

Espécie vulnerável

O gato-do-mato-pequeno está classificado como Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e em listas nacionais, com uma população global estimada em apenas 6.047 indivíduos maduros. Estudos indicam um contínuo declínio populacional e de área de ocupação, com a espécie já tendo perdido 68,2% de sua área de distribuição histórica. Alan da Costa ressalta que as principais ameaças à espécie incluem a perda de habitat e atropelamentos.

Orientações em caso de avistamento

Em caso de avistamento do gato-do-mato-pequeno, recomenda-se não pegar filhotes, pois geralmente a mãe sai para caçar e o filhote fica sozinho por um curto período. Se houver atropelamento e o animal estiver machucado, deve-se contatar órgãos responsáveis, como a Patrulha Ambiental (Patram) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) no Rio Grande do Sul. O pesquisador enfatiza que a espécie é arisca e evita contato com humanos.

Sobre o projeto Felinos do Pampa

O projeto Felinos do Pampa atua na conservação do gato-do-mato-pequeno por meio de iniciativas integradas às comunidades. Entre as ações promovidas estão a construção de galinheiros anti-predadores, reposição de aves para reduzir a caça por retaliação, identificação de pontos críticos e instalação de sinalização para minimizar atropelamentos, além de campanhas de vacinação e castração de animais domésticos para evitar a propagação de doenças. O projeto também participa de planos de manejo e licenciamento ambiental para mitigar a perda e fragmentação de habitats.

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