A Universal Music Group (UMG) confirmou na quarta-feira que venderá metade de sua participação de 3% na Spotify, uma transação avaliada em até US$ 1,4 bilhão, com base na valorização do serviço de streaming em 29 de abril. A artista Taylor Swift desempenha um papel significativo nesse lucro, pois todos os artistas da UMG também devem se beneficiar.
A relação de Swift com essa situação é complexa e remonta aos acordos de licenciamento originais das grandes gravadoras com a Spotify no final dos anos 2000, que garantiram ações da plataforma de streaming. Em 2016, conforme relatado pela Music Business Worldwide, Warner Music Group e Sony Music Group se comprometeram a distribuir parte dos lucros aos artistas caso vendessem suas ações da Spotify, um movimento que UMG também confirmou cerca de dois anos depois, antes da IPO da Spotify.
Swift se torna mais relevante nos detalhes. A Sony foi a primeira a vender, desinvestindo em parte de suas ações da Spotify após a IPO em abril de 2018. A Warner seguiu alguns meses depois, vendendo sua participação total na empresa. Contudo, os métodos de pagamento entre as duas gravadoras apresentaram diferenças significativas. Enquanto a Sony pagou independentemente da situação financeira dos artistas, a Warner considerou se os artistas já haviam recuperado seus investimentos, o que resultou em uma maior retenção de lucros pela gravadora.
No mesmo ano, Swift estava negociando seu contrato com a UMG. Durante essas negociações, embora a UMG já tivesse se comprometido a pagar os artistas pela venda de ações da Spotify, Swift pediu que o acordo fosse não-recuperável. Essa foi uma jogada astuta que garantiu melhores termos para milhares de artistas ao seu redor, um movimento que apenas uma artista de seu calibre poderia viabilizar.
Não foi a primeira vez que ela se posicionou em relação às plataformas de streaming. Em 2015, Swift escreveu uma carta aberta à Apple, pedindo que a Apple Music pagasse os artistas durante os períodos de teste gratuito. Após isso, Eddy Cue, da Apple, confirmou que a carta havia influenciado a mudança de postura da empresa. Além disso, Swift retirou sua música da Spotify em protesto contra os baixos pagamentos em comparação às vendas de álbuns, retornando à plataforma em 2017.
Na época de sua assinatura com a UMG, em novembro de 2018, Swift afirmou que o termo não-recuperável nas vendas de ações da Spotify “significava mais para mim do que qualquer outro ponto do acordo”.
“Eles concordaram generosamente com isso, em termos que acreditam ser muito melhores do que os pagos anteriormente por outras gravadoras”, escreveu Swift em 2018, agradecendo ao CEO da UMG, Lucian Grainge.
Atualmente, não está claro quanto os artistas receberão, como o montante será dividido entre o elenco e a empresa, e quando esses pagamentos serão feitos. A WMG pagou US$ 126 milhões aos seus artistas após a venda de ações em 2018.
Em um comunicado à imprensa, a UMG afirmou que a parte dos artistas será “consistente com a abordagem da empresa em relação à compensação dos artistas”. Presumivelmente, isso significa que a UMG distribuirá os pagamentos de maneira similar a como lida com outros tipos de ganhos, como acordos de processos judiciais, onde os pagamentos são determinados com base nos contratos de royalties dos artistas e sua participação nos lucros do streaming. Os maiores artistas do elenco podem receber milhões.
“Vejo isso como um sinal de que estamos caminhando para uma mudança positiva para os criadores”, escreveu Swift sobre os termos das ações em 2018, “um objetivo que nunca vou parar de tentar ajudar a alcançar, de qualquer maneira que eu puder.”




